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Revista, finalmente, resgata leitor órfão de revistas literárias / literatura, revista literária, Conhecimento prático - literatura, leitura, Cult, Bravo, Entrelivros

Renato Alessandro dos Santos

Aconteceu. Desde o fim de Entrelivros, nenhuma outra revista ocupava o posto de revista literária predileta entre o público interessado em literatura (já como farol das letras, é algo que está longe a qualquer uma das duas ou três revistas literárias brasileiras vendidas em bancas). Mas o último número da revista Conhecimento prático - literatura, novo e péssimo nome para o que antes era Discutindo literatura (nome também discutível), chegou para colocar as coisas no lugar. Há revistas como Bravo, Cult e outras, mas nenhuma, especificamente sobre literatura, havia chegado tão longe - no sentido de trazer bons textos, profundidade e elegância - quanto esse último número da revista que está nas bancas. Se nos próximos números o pessoal preservar esse mesmo nível, aí sim teremos uma revista literária para encher de orgulho aqueles que gostam de literatura. Você? Sim, você. Levante a mão, por favor, se gosta de literatura e de revistas literárias.

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Há mortos, claro, mas os feridos, que são minoria, salvam-se, e entre mortos e feridos salva-se a revista. O número 25 traz reportagem de capa sobre a dificuldade para se verter em imagens cinematográficas o que antes passara pela linguagem literária e, também, artigos sobre a obra de Augusto dos Anjos, Sylvia Plath, Marcos Rey e Charles Bukowski, dentre outros autores. Outro mérito da revista recai sobre a reportagem a respeito do escritor Ruy Espinheira Filho, autor do recente De paixões e de vampiros – uma história do tempo da era (Bertrand Brasil). Se para muitos, Ruy é ainda desconhecido, cabe lembrar que o crítico literário Wilson Martins disse que o último romance de Espinheira Filho é “uma pequena obra-prima”. E mais outro mérito fica por conta da diagramação, cheia de “hiperlinks” que tomam conta de colunas laterais nas páginas – mas algo que tem de ser medido com parcimônia, pois o acúmulo desse recurso também desorienta a leitura, quando deveria ter efeito contrário. Deixando de lado o conservadorismo na diagramação, para apostar em algo mais moderno, tal procedimento deixou a revista charmosa, destoando do que ela era meses atrás.

Àqueles que, como eu, sentiram demais a “morte” da revista Entrelivros (ainda me lembro da tristeza que foi ler seu obituário numa notinha na Folha de S. Paulo), agora, podem ficar menos desiludidos com o mercado editorial brasileiro e ir às bancas de jornais, religiosa & mensalmente, para comprar CP Literatura, essa revista que, até que enfim, mostrou a que veio.

Agora, por favor, alguém poderia dizer por que a Entrelivros terminou. Por quê? Por quê? Por quê? O que não dá para entender é por que uma revista como ela não conseguiu subsídio para sobreviver, enquanto gente grande consegue incentivo fiscal para seus shows. Algumas coisas neste país sempre ficarão relegadas à ação entre amigos, algo que diz muito ao trabalho que o tempo terá para dizer o que presta e o que não presta no Brasil de hoje.

 

NAS BANCAS:

CONHECIMENTO PRÁTICO: LITERATURA
Edição número 25.
R$ 7,90
 

16/08/2009