)Sarau(

Elegia / A outra margem do tempo, poesia brasileira, novos poetas

Alexandre Bonafim

Ya no llores, Verano! En aquel surco
muere una rosa que renasce mucho...
                                          
César Vallejo

Virás como pouso tênue, leve afago
de melodia sobre o olhar. Virás como
manhã de infinda primavera, humilde
alegria ante o silêncio da rosa. Virás
como vento de orvalho, folha seca
dedilhando teclas de poeira, chegada
de impossível carta, som de flauta.
Mas antes da vinda da tua hora ausente,
hei de repousar a mão sobre a memória
e vivo como na esperança mais nova,
vivo como na pulsação do primeiro olhar,
hei de amanhecer o menino que fui,
aquele sempre perdido entre passos
de ciranda e gritos de algazarra. Vivo...
Tão vivo como no latejar da emoção
mais antiga, hei de reerguer os gestos azuis
sobre o caminho onde a brincadeira ainda ecoa
as cantigas de riso e festa. Apagarás enfim
o homem, mas o menino este permanecerá
infinitamente... Como uma cantiga
entre o efêmero e a eternidade.

 

Referência bibliográfica:

 

 

 


BONAFIM, Alexandre. Elegia. In: _______. A outra margem do tempo. São Paulo: Ribeirão Gráfica e Editora, 2008.

15/08/2009