)Literatura(

Uma resenha interessantíssima / "Prefácio interessantíssimo", Modernismo brasileiro, Semana de Arte Moderna, Mário de Andrade

Fernanda Ferreira Romeiro

Essa resenha, apesar de interessante, é inútil.

Apesar de informar você, leitor, que a leitura de Paulicéia Desvairada é válida, essa [esta] simples e curta resenha tem o sincero objetivo de apenas impressionar o professor para uma boa nota, ou não, como diria Caetano.

Começo falando do autor, Mário de Andrade, não onde nasceu e morreu – Sãopaulocapital –, de sua educação formal e não também de tudo o que fez na vida em paralelo a escrever suas grandes obras – crítico de arte, professor de música etc. Falo de um Mário de Andrade escritor, que começou com o pseudônimo Mário Sobral, com o livro Há uma gota de sangue em cada poema, uma crítica ao massacre da Primeira Guerra Mundial. Porém, meu foco é o outro Mário, o de Andrade mesmo, que, com seus pensamentos efervescentes, criou com seus amigos (depois um deles virou inimigo, o Agitador) um movimento e tanto no espetacular ano de 1922, a Semana de Arte Moderna, que creio que não é preciso explicar o que foi, queria era ter sentido!

Aqui falo sobre Pauliceia Desvariada. Sim, publicado em 1922, O início, oficial de tudo, pois as ideias já fervilhavam antes. Vamos à obra! É poesia pura!

Ousadas experiências de linguagem, uso do coloquial, versos livres, sinestesia... O total rompimento com as escolas literárias anteriores. Mário de Andrade escrevia em brasileiro, o que se pode notar evidentemente em Macunaíma -  o herói sem nenhum caráter, uma narrativa, mas aqui estou falando de Pauliceia desvairada, um livro de poemas. E ele era isso em tudo, escancarou um Brasil que queria uma identidade própria, uma linguagem literária peculiar, nascida de uma miscelânea cultural.

A liberdade de expressão e criação vem logo no início do livro, com seu prefácio inútil, mas interessantíssimo. Tão interessante que poderia ser uma teoria poética, ou melhor, já o é. Tão interessante que se tornou um manifesto, O Manifesto dos Modernistas. A subjetividade poética usada como explicação – até técnica – de composição dos versos do livro torna tal prefácio tão complexo quanto seus poemas, mas nada que você, leitor, irá sofrer para ler.

Sobrevivendo ao manifesto, ou ao prefácio, como quiser, é hora de conhecer os poemas. Leia sem pressa, reconheça o novo, sinta a louca São Paulo em um processo desenfreado de urbanização e modernização, que leva Mário de Andrade a uma relação de contradição: ironia e adoração pela cidade que ele coloca em versos que trazem uma nova reprodução da realidade, a deformação do real, um exagero Modernista, um exagero de Mário de Andrade.

ilustração de ---------> vanessa marques lira

FERNANDA FERREIRA ROMEIRO é aluna de Letras do Centro Universitário Moura Lacerda.

VANESSA MARQUES LIRA é artista visual e professora de arte, no Brasil, porque só o amor, a educação e a cultura podem salvar a humanidade.

13/09/2020