)Sarau(

2 poemas de George dos Santos Pacheco / poesia brasileira contemporânea

Renato Alessandro dos Santos

 

 

 

 

 

 

O Oráculo

 

Oh, grande Oráculo!

Eterno e assaz efêmero,

célebre, magnífico e imáculo.

Revela-me, guru esplêndido!

Prostro-me ingênuo e sorumbático,

fitando-te com o rosto lívido:

não tens alma, e isso é trágico,

teu crédito, porém, é vívido.

Ora, ora, Oráculo...

Quem te elegeu, num gesto plácido,

para declamar neste espetáculo,

como se teu conselho fosse válido?

Sendo verdade, partiria lépido,

e ignorando o equívoco,

defender-te-ia intrépido!

(ainda que soasse frívolo)

Oráculo dos oráculos!

Se te invoco, assim, poético,

caprichando no vernáculo,

não clamo a mim o arquétipo.

Tu, porém, és um estereótipo.

Não me julgues pela anáfora,

por sensatez, e será ótimo.

(um mero pretexto para a metáfora...)

 

 

Como Neandertais

 

Não quero lhe falar,

meu grande amor...

(Não quero e não vou)

Estou com pressa, muito ocupado,

e não posso ajudar com algum trocado.

Você já deve estar sabendo,

que a bala está comendo

- e não é nenhum doce ou rebuçado.

É tiro, porrada e bomba, moço,

pra tudo quanto é lado!

Por isso, cuidado, meu irmão!

Lembre-se: você também é mortal.

Quando Papai do Céu voltar,

aí que eu quero ver!

O que é que você vai falar?

O que vai dizer?

Eu sei, eu sei... talvez a situação mudasse,

se em vez de agredir,

eu oferecesse a outra face.

Não! Não adianta agora ficar fingindo,

tirar onda de bacana, civilizado.

Porque Deus está vendo,

e nada ficará escondido,

tudo será revelado!

Todo esse embuste já sabemos,

está aí, estampado nos jornais.

Ainda somos os mesmos e vivemos,

como Neandertais!

 

 

     ilustrações de Rodrigo Caldas      

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GEORGE DOS SANTOS PACHECO nasceu em Nova Friburgo, Rio de Janeiro, em 07 de outubro de 1981. Desde a adolescência rascunha histórias em cadernos, mas só tomou coragem de escrever depois de assistir a uma entrevista da escritora Sônia Belloto, em que a autora afirmava que, se quisesse, qualquer um poderia escrever. Assim surgiu O fantasma do Mare Dei, publicado pela Multifoco, do Rio de Janeiro. É graduado em Pedagogia e um dos autores da Coletânea Assassinos S/A Vol. II, também da Multifoco. Tem participado de Desafios Literários propostos em sites, o que lhe rendeu a participação no e-book Contos sombrios de Natal, do fórum literário Fórum Câmara dos Tormentos (atual A Irmandade). Publicou também um conto na edição do 3º trimestre de 2011 da Revista Marítima Brasileira. Recebeu Menção Especial no VI Concurso de Trovas do Grêmio Português de Nova Friburgo, tema lírico-filosófico. Blogueiro desde 2009, publica textos na Revista Pacheco e nos sites A IrmandadeTertúliaAs Crônicas do Edifício Cinza, dentre outros. A partir de janeiro de 2014, passou a compor o quadro de colunistas da Revista Êxito Rio. No Facebook: Revista Pacheco.

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RODRIGO CALDAS nasceu em Belém do Pará, mas reside em São Paulo. Analista de sistemas, baterista da banda paulistana Bazar Pamplona e estudioso de desenhos, pinturas e arte sequencial.  Fanático por filmes de terror, action figures e histórias em quadrinhos.  Adora dançar “Cheek to Cheek” com a esposa e passear com Bruce, seu bat-cão. Atualmente está trabalhando no seu projeto autoral de história em quadrinhos. Instagram: Rodrigo Caldas. Facebook: Rodrigo Caldas.

 

 

 

 

 

  • 01 - Time Was

08/12/2019