)Sarau(

Baile Funk /

Demétrio Panarotto

 

 

 

 

 

Este é o poema do cume

[do erudito ao não dito

da cumeeira sem beira

que do cume agito

acima abaixo

a fora e a dentro

de um pretendente

pra sempre

a ser gente]   

do cume lado do presidente

que do cume fala

que do cume governa

que do cume só pra

com um cálice

cálice cálice

o cume trouxe

estrume lado

na mão

 

o cume lado do presidente

moro do paraná

toda vez que sobe o cume

desce o cume lado

o cume lado desce

e do cume lado moro

a galope o golpe

do cume vaza

documentado

ou do cu mentido

é o cúmulo

é o cu mula

é o cume tido

é o cume moro

é o cume tendo

tendo sido

tendencioso

 

ver-te merda todo o dia

do cume o presidente

num país desmoronado

desmoronando e dançando

com o verde amarelo da colônia

com cheiro de cume engana

pois quem cunha uma moeda do safado

do safado uma moeda cunha

 

este é o poema do cume

pra dançar no baile funk

no palanque do planalto

do cume tendo e aprovando

o passado danação

com a chibata no coro

com o coro no tronco

entoando a manchete da tv

repetida como refrão

 

vai vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai

vai vai vai

vai vai...

 

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       ilustrações de rodrigo caldas      

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DEMÉTRIO PANAROTTO nasceu em Chapecó-SC, em 1969. É doutor em literatura, professor universitário, músico e escritor. Publicou, dentre outros, Poema da Maria 3D [Coleção Formas Breves, e-galáxia, 2015, e-book], Ares-Condicionados [Nave Editora, 2015, contos], A de Antônia [Miríade, 2016, infantil], No Puteiro (Butecanis editora cabocla, 2016, poemas). Vive em Florianópolis-SC.

RODRIGO CALDAS nasceu em Belém do Pará, mas reside em São Paulo. Analista de sistemas, baterista da banda paulistana Bazar Pamplona e estudioso de desenhos, pinturas e arte sequencial.  Fanático por filmes de terror, action figures e histórias em quadrinhos.  Adora dançar “Cheek to Cheek” com a esposa e passear com Bruce, seu bat-cão. Atualmente está trabalhando no seu projeto autoral de história em quadrinhos. Instagram: Rodrigo Caldas. Facebook: Rodrigo Caldas.

 

18/02/2018