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Fanzine Tertúlia: mi casa es su casa / fanzine, Tertúlia, Kaspar

Renato Alessandro dos Santos

Alô, alô. Testando. Som.
SSSSSSSSSSom. 1, 2, 3…

Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. “Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta”, lamentava. “Não há problema”, eu dizia. “Amanhã chega mais”. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe. Se não havia periodicidade alguma, por uma questão básica, isto é, o prazer nunca deveria tornar-se obrigação, o comprometimento nunca deixava de existir. A cada número lançado, seguia-se uma série de afazeres: divulgar o fanzine em jornais e em outros fanzines; enviá-lo a leitores que, por carta, pediam um exemplar; lê-lo vezes sem fim, tarde da noite, virando cada página em busca de erros e, mais do que isso, em busca da humilde alegria de quem se felicitava justamente por ter conseguido publicar mais um número. Aos poucos, leitores cobravam por seu exemplar. “Já saiu o próximo?”. “Nada”, eu dizia. Sempre demorava muito cada edição. Se a esperança era manter uma periodicidade trimestral, um fanzine para cada estação do ano, a coisa emperrava, porque a vida é uma enxurrada e não é toda hora que se pode brincar na rua acompanhando a correnteza. Não importava. Mas se a periodicidade trimestral não funcionou, também não houve problema algum: importante mesmo era publicar os textos, o que - aliás - é uma das magias de se fazer fanzine.

Quando tudo começou, eu não imaginava como publicar um texto meu, se não havia nenhum jornal, revista ou qualquer outro veículo da imprensa que pudesse conceder algum espaço para meu trabalho. Então, numa tarde de domingo, lendo um fanzine de Divinópolis, Kaspar Zine, editado por Jefferson, a ficha caiu: quer dizer que não preciso esperar pela ajuda de ninguém, para publicar meus textos?! Basta editar a própria "revistinha", com máquina de xerox, e escrever o que quiser?! Uau! O mundo se dividiu em dois: antes e depois dessa revelação. Tinha 21 anos e estava em dúvida se ainda era um adolescente ou não. Não era, mas mantinha o teen spirit necessário para uma empreitada dessa natureza. E foi assim: a partir de 16 de abril de 1993, quando saíram 18 cópias do primeiro Tertúlia, edição após edição, o fanzine ia deixando um número para trás e crescendo em sua tiragem – do número 2 foram impressas 500 cópias. 1, 2, 3, 4, 5, 6. Apenas seis números em cinco anos. A última edição foi em três de novembro de 1997. Uma vergonha, eu sei, mas o prazer, acima de tudo. Se ler pra valer é ter prazer pelo que se lê, então, como prescindir disso quando se faz fanzine?

Hoje, aos 37, após um hiato de 12 anos, Tertúlia renasce, mas agora como site. Música, cinema & literatura continuam como o trio-elétrico que o deixam on-line, mas há ainda de tudo um pouco: hq, gastronomia, viagens, futebol & outros temas que sejam atraentes a ponto de merecer um texto. Mais uma vez nada de pressa: a internet é um vendaval e, se você se deixar levar, tudo pode ficar devastado; então, a pergunta é: aonde você vai com tanta pressa? Passe por aqui, por favor, mas se nada houver que chame sua atenção, não se reprima, como diriam Menudos, basta entrar em contato [realess72@gmail.com] e cobrar este rapaz em forma [de quibe]. Certamente, você não será atendido, mas a preguiça absoluta ao menos ficará incomodada e, com isso, as coisas acontecerão, como têm de ser.

Seja bem-vinda ou bem-vindo! Mi casa es su casa.

Renato Alless ou Renato Alessandro dos Santos

15/07/2009