)Tradução(

2 poemas traduzidos: "A balada de Birmingham" + "O carrinho de mão vermelho" / poesia norte-americana; Dudley Randall; Williams Carlos Williams;

Paulo Veiga

 

 

 

 

 

 

The Ballad of Birmingham

(On the bombing of a Church in Birmingham, Alabama, 1963)

 

"Mother dear, may I go downtown       
Instead of out to play,
And march the streets of Birmingham
In a Freedom March today?"

"No, baby, no, you may not go,
For the dogs are fierce and wild,
And clubs and hoses, guns and jails
Aren't good for a little child."

"But, mother, I won't be alone.
Other children will go with me,
And march the streets of Birmingham
To make our country free."

"No baby, no, you may not go
For I fear those guns will fire.
But you may go to church instead
And sing in the children's choir."

She has combed and brushed her night-dark hair,
And bathed rose petal sweet,
And drawn white gloves on her small brown hands,
And white shoes on her feet.

The mother smiled to know her child
Was in a sacred place,
But that smile was the last smile
To come upon her face.

For when she heard the explosion,
Her eyes grew wet and wild.
She raced through the streets of Birmingham
Calling for her child.

She clawed through bits of glass and brick,
Then lifted out a shoe.
"O, here's the shoe my baby wore,
But, baby, where are you?"

 

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A balada de Birmingham

(Sobre a explosão de uma Igreja em Birmingham, Alabama, 1963)

 

“Mãe querida, poderia

ir às ruas da cidade,

em vez de brincar, em Birmingham

hoje, em marcha à liberdade?”

 

“Não, filha, não pode não

há muitos cães delinquentes

e pau e jato, arma e cadeia

não são bons aos inocentes.”

 

“Mas mãe, não estarei sozinha

outras também vão marchar,

todos nas ruas de Birmingham

para o país libertar.”

 

“Não, filha, não pode não,

temo o tiro do fuzil

em vez, pode ir até a igreja

cantar no coro infantil.”

 

Penteou seu cabelo negro

como a noite; rosa ungiu-lhe,

nas mãos marrons e pés, luva

e sapato alvos vestiu-lhe.

 

A mãe sorriu por manter

a filha em sacro lugar,

mas foi o teu último sorriso

em teu rosto a despontar.

 

Ao ouvir a forte explosão

molhou o olhar com dor ferina

correu nas ruas de Birmingham

gritando pela menina.

 

Cavou vidros e tijolos

achou um sapato à mercê

“Oh, o sapato que ela usava,

mas, filha, cadê você?”

 

) Poema de Dudley Randall (

 

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The red wheelbarrow

 

So much depends

Upon

 

A red Wheel

Barrow

 

Glazed with rain

Water

 

Beside the white

Chickens.

 

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O carrinho de mão vermelho

 

Tudo depende

Daquele

 

Rubro carro

De mão

 

Que brilha água

De chuva

 

Perto de brancas

Galinhas.

 

) Poema de Williams Carlos Wililams (

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O tradutor, doutorando, dedicou a tradução desses poemas a sua orientadora, Maria Claro B. Paro

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ilustrações de HELTON SOUTO

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DUDLEY RANDALL nasceu em Washington em 1914 e faleceu em Southfield em 5 de agosto de 2000. A balada de Birmingham é seu poema mais famoso.

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WILLIAMS CARLOS WILLIAMS nasceu em Rutherford em 1883 e faleceu na mesma cidade em 1963. Foi ganhador do Prêmio Pulitzer e, também, do National Book Award. Participou do Modernismo e do Imagismo.

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PAULO VEIGA é professor no Centro Universitário Moura Lacerda e doutorando.

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HELTON SOUTO nasceu em 76. Ribeirão Preto. Casado com Silvana. Cientista social, educador, gerente de projetos na área de educação e juventude, artista plástico e ilustrador. Desenha e pinta desde sempre. Torce para o São Paulo. E seu cachorro se chama Yoda. Blog: Andar na pedra. Contato (Facebook): Helton Souto.

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13/12/2015