)Cinema(

Uma ode à imaginação / De volta para o futuro I, II e III;

Renato Alessandro dos Santos

“Ninguém me chama de covarde”, responde, pausadamente, Martin McFly, sempre que alguém o desafia; há quatro anos, após assistir ao final da trilogia De volta para o futuro, eu e meu filho (à época com 8 anos) já falávamos juntos essa frase. Esse menino, após a última cena do filme, quando o trem elétrico sai voando pela tela, perguntou resignadamente, mas já sabendo a resposta: “e o próximo?!” Diante da triste resposta negativa — me sentia como ele —, Théo começou a chorar. Imagino quantos pais & filhos, após assistirem aos três filmes da trilogia De volta para o futuro, não choraram juntos, rolando pelo chão da sala, às mãos em desespero e os gritos de por quê, por quê, por quê?!

 

Foi um momento difícil da vida dele, como o foi para mim, quando vi o “The end” sobreposto à imagem da locomotiva voadora, a nova máquina do tempo do Dr. Emil Brown. Era o fim. Terminava De volta para o futuro. Por dias, ficamos eu e meu filho, e ocasionalmente a mãe, assistindo a essa pérola do cinema dos anos 1980. Decerto você não se lembra mais, mas o primeiro filme é de 1985; o segundo, de 1989; o terceiro, de 1990. Era muito bom ser adolescente, não? Hoje, depois de tanto tempo, o roteiro deixa uma ou outra coisa a desejar pelo caminho, mas mesmo assim a criatividade e a genialidade que ligam o primeiro filme à continuação em duas partes — que foram filmadas juntas — fazem de De volta para o futuro uma ode à imaginação.

A ideia é fascinante, não é? Viajar no tempo. Quem nunca pensou em voltar ao passado, seja para consertar erros nunca digeridos ou mesmo para conhecer uma época sempre sonhada, como os anos 1960, ou 1950, ou mesmo o século 19? E quem nunca pensou em ir ao futuro, descobrir o porvir in loco? Nas mãos dos ilusionistas Robert Zemicks e Steven Spielberg e do compositor Alan Silvestre, além de outros, até hoje a trilogia De volta para o futuro é um presente aos olhos, aos ouvidos e à memória.

A história é conhecida: estamos em 1985, e o doutor Emil Brown inventa uma máquina do tempo mirabolante. Nada de cápsulas que giram num átimo sobre si mesmas ou naves de qualquer espécie, mas um Delorean, um carro que, nos anos 1980, com seu desenho futurista, deixava qualquer pessoa com a cara que, mais tarde, Homer faria diante de um donut.

O cientista maluco pretende viajar ao passado e pede ajuda a Martin McFly, 17 anos. É o adolescente McFly que acaba, numa reviravolta inacredincrível, atrás do volante do Delorean rumo ao ano de 1955, quando quase coloca sua vida em risco, literalmente, ao deixar sua futura mãe der-re-ti-da por ele, numa relação às avessas do Complexo de Édipo que, certamente, faria Freud perder o juízo.

Você tinha quantos anos em 1985, em 1989 e em 1990? Eu tinha 13, 17 e 18. Vi todos os filmes no cinema e me lembro da chuva que cai em De volta para o futuro II porque chovia em Araraquara, na noite de 1989 em que fui ver o filme, antes de voltar para casa, de ônibus, como se o trólebus fosse o meu Delorean.

E qual a sua cena predileta? Marty prestes a voar pela sala, após aumentar o volume da guitarra ligada àquele amplificador gigante? Van Halen nos fones de ouvido? O baile com McFly tocando Johnny B. Goode, enquanto Chuck Berry recebe uma ligação do primo? O Delorean no Velho Oeste? As cenas de skate com (e sem) rodinhas? Cada um tem sua cena predileta; qual é a sua?

E o resto da trilogia De volta para o futuro?

O resto é memorabilia…

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Meu nome é Renato Alessandro dos Santos. Tenho 40 anos, um filho de doze anos, Théo, e uma mulher que amo, Silvia. Sou doutorando em Estudos literários na UNESP, de Araraquara, e autor de Mercado de pulgas: uma tertúlia na internet (Multifoco) e da dissertação A revolução das mochilas: de On the road à lenda de Duluoz – a literatura beat de Jack Kerouac. Sou, também, um dos autores de Literatura futebol clube (Multifoco), Crônico: crônicas brasileiras ilustradas (Multifoco) e de Desafios e perspectivas das ciências humanas na atuação e na formação docente (Paco editorial). Sou apaixonado por música, cinema, literatura e pelo Santos Futebol Clube; e-mail: realess72@gmail.com; perfil no Facebook (Renato dos Santos Santos).

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Helton Souto nasceu em 76. Ribeirão Preto. Casado. Desenha e pinta desde sempre. Graduou-se em Ciências Sociais. Foi arte-educador. Foi professor de História. Trabalha em ONG, com educação e juventude. E não parou de desenhar e pintar. Blog: Andar na pedra; Flickr; Facebook.

  • 01. Huey Lewis & the News - Power of love

  • 05. Huey Lewis & The News - Back in time

  • 09. Marvin Berry & The Starlighters - Earth Angel

  • 10. Marty McFly & the Starlighters - Johnny B Goode

  • 06. The Outatime Orchestra - Back to the Future Overture

  • 03 Seasun

19/05/2013