)Música(

Viva / Camisa de Vênus; "Viva"

Alexandre Dantas

A formação original do Camisa de Vênus contou com Marcelo Nova (voz e guitarra), Gustavo Mullen (guitarra), Karl Hummel (guitarra), Robério Santana (baixo) e Aldo Machado (bateria).

Vez ou outra a banda se reúne, grava um álbum, se desmancha, e aí volta de novo, mas nunca mais com essa formação original, que rendeu 5 excelentes álbuns de rock and roll, a saber: Camisa de Vênus (1983), Batalhões de estranhos (1984), Viva (1986), Correndo o risco (1986) e Duplo sentido (1987).

Dentre esses, destaco Viva, o terceiro - e essencial - disco dessa banda baiana, surgida em disco, em 1983, com o lp Camisa de Vênus. Ali já se podia notar a influência das bandas de hard rock dos anos 1970, bem como do rock “inocente” de Elvis Presley e Chuck Berry. Nesse álbum também já emergia o que seria uma marca registrada do grupo: as letras ácidas que criticam os costumes pasteurizados da sociedade brasileira. A banda “estourou” nacionalmente em 1984 com o hit “Eu não matei Joana D’arc”, do lp Batalhão de estranhos. A partir daí, o país ficou conhecendo o recado – invariavelmente explícito – de uma banda que ia na contramão da sonoridade baiana “exportada” naquele momento.

Porém, em relação ao que interessa aqui, ou seja, o álbum Viva, há alguns aspectos curiosos que devem ser destacados: gravado em 1986, no Caiçara Music Hall, em Santos, ele não foi mixado (prática incomum em discos ao vivo). O que se ouve é o que aconteceu realmente. As letras desbocadas, os deboches, os palavrões emitidos pela platéia e pela banda estão ali, sem cortes. Tanto assim, que o encarte continha o aviso: “este disco não foi remixado. Você ouve o que aconteceu no show. E OUÇA ALTO”.

O álbum é composto por 10 faixas, com canções dos dois primeiros discos da banda, como “Eu não matei Joana D´Arc”, “Hoje”, “Bete morreu”, e mais canções que eles jamais haviam gravado, ou gravariam em lugar algum posteriormente, como “Homem forte”, “Solução final” e “Rotina”. Ou seja, há músicas que só foram registradas naquele disco. O espírito punk-rock impera ali em todas as faixas. E ao vivo!

Destaco 3 faixas, urgentes para seus ouvidos: a impagável “Sílvia”, a versão sacana-tupiniquim para “My Way” e “O Adventista”, que fecha o disco, com Marcelo Nova rezando o Pai-Nosso ao final da canção. Mais punk, impossível. Com certeza, um dos discos - ainda na época do vinil - que eu mais ouvi na minha vida. Item urgente encontrado nas boas casas do ramo. Não percam de jeito nenhum. Rock and roll honesto, sincero e “sujo”.

O que mais se pode querer?

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Ilustração de Helton Souto

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Alexandre Dantas é pai do João e do Pedro, apaixonado por música (especialmente rock), palmeirense, sociólogo e professor universitário.

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Helton Souto nasceu em 76. Ribeirão Preto. Casado. Desenha e pinta desde sempre. Graduou-se em Ciências Sociais. Foi arte-educador. Foi professor de História. Trabalha em ONG, com educação e juventude. E não parou de desenhar e pintar. Blog: Andar na pedra; Flickr; Facebook.

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11/02/2013