)Cinema(

A sangue frio / O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford

Renato Alessandro dos Santos

Quando a história começa, encontramos o bando de Jesse James cindido. Ele não confia em nenhum de seus capangas e tem certeza de que será traído por um deles. Não deve ter sido fácil a vida de Jesse James. Foragido da lei, seu nome ganhou os jornais e a fama porque tinha um pouco de Robin Hood: dava aos pobres o que roubava dos ricos. Mas fica a pergunta: teria sido Jesse “Robin Hood” James realmente assim? Bem, a menos que o Google um dia diga o contrário, essa é a imagem que o filme O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford mostra. Talvez não tenha sido bem assim, uma vez que cinema é sétima arte e a vida serve como matéria-prima para os filmes. De qualquer forma, a homenagem a esse fora-da-lei é belíssima de se ver e ouvir, especialmente, porque há uma melancolia imensa em cada um dos frames do filme e em cada um dos acordes da trilha sonora. A fotografia tem uma tonalidade azul escura. Não é sempre que o cinema consegue imagens como essas, mas elas estão ali, retratadas na paisagem solitária e grandiosa. Já a trilha sonora também resgata a tristeza dessas grandes paisagens americanas. A desolação das imagens e dos acordes ecoa nossa fragilidade humana ordinariamente humana.

A violência é seca, digerida na lei do olho por olho: a palavra vale, e quem não a empenha corretamente paga com a vida. Como o título do filme revela, Jesse James é assassinado por Robert; porém, mais do que recompensa, o que o assassino quer mesmo é fama, e ele a encontra: logo após a notícia da morte correr o país, Robert e seu irmão tornam-se famosos e viajam por todo o território americano para encenar, em teatros lotados, a morte de Jesse James. Os irmãos estavam na casa de James, e Robert o mata com um tiro nas costas. Fogem. De início, a surpresa da morte encobre a vilania do ato, mas aos poucos Robert começa a ser tratado com desprezo por todos por ter tirado a vida de Jesse da forma como o fez. O arrependimento do assassino não é suficiente, como nos conta em vários momentos a narrativa em off, feita pelo próprio Robert, que é bem interpretado por Casey Affleck. Brad Pitt também soube dar turbulência a seu personagem e, por isso, encontramos um Jesse James esquivo, desconfiado de tudo e de todos, como se soubesse que em breve não conseguiria mais escapar da morte. 

É um filme que vale pelo esforço de todos: pela maneira como a história é contada, pela atuação bem dirigida dos atores, pela trilha sonora repleta de solitude de Nick Cave e Warren Ellis e, principalmente, pela fotografia exuberante e fria, capaz de registrar a solidão do velho oeste americano.

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Ilustração de Helton Souto

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Meu nome é Renato Alessandro dos Santos. Tenho 40 anos, um filho de doze anos, Théo, e uma mulher que amo, Silvia. Sou doutorando em Estudos literários na UNESP, de Araraquara, e autor de Mercado de pulgas: uma tertúlia na internet (Multifoco) e da dissertação A revolução das mochilas: de On the road à lenda de Duluoz – a literatura beat de Jack Kerouac. Sou, também, um dos autores de Literatura futebol clube (Multifoco),Crônico: crônicas brasileiras ilustradas (Multifoco) e de Desafios e perspectivas das ciências humanas na atuação e na formação docente (Paco editorial). Sou apaixonado por música, cinema, literatura e pelo Santos Futebol Clube; e-mail: realess72@gmail.com; perfil no Facebook (Renato dos Santos Santos).

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Helton Souto nasceu em 76. Ribeirão Preto. Casado. Desenha e pinta desde sempre. Graduou-se em Ciências Sociais. Foi arte-educador. Foi professor de História. Trabalha em ONG, com educação e juventude. E não parou de desenhar e pintar. Blog: Andar na pedra; Flickr; Facebook.

 

  • 01 Rather Lovely Thing

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  • 13 Counting The Stars

27/01/2013