)Sarau(

Os sons... A cidade /

Vanessa Lira

Uma melodia, das menos detestáveis, não tão boa que possa embalar, mas ruim o suficiente para tirar-mUma melodia, das menos detestáveis, não tão boa que possa embalar, mas ruim o suficiente para tirar-me da profundidade do descanso. Enfim, toca no celular.
Passos leves, arrastam-se pelo chão de madeira. Até alcançar o clique do interruptor na sala.
Mais um clique e a torneira jorra água fria... Acordar...

Mais uma meia dúzia de sons até que se possa chegar à cozinha... Os passos ainda soam preguiçosamente pelo chão de madeira.

Louça tilintando, café coando num som oco da água fervente caindo no vidro da jarra. Banana amassando. Gente acordando...

Os passos já soam apressados e calçados pelo assoalho de madeira... Alarme de carro. Abre porta, fecha porta, prende o cinto, o ronco do motor... Do nosso...

Uma acelerada, uma buzina de agradecimento pela passagem... Cidade em movimento.

Beijo pra lá, beijo pra cá, saudações, te amo, bom dia, cuidado...

O plec plec plec pelas escadas, a campainha do metro... humpf... Perdi o primeiro! O som do vento... o chacoalhar da eletricidade pelos trilhos... Abre a porta, campainha, avisos e mais avisos...

O arrastar dos passos na transferência... Vozes desconectadas em conversas sem nexo ecoam pelos túneis.

O plec plec plec pelas escadas. O destampar dos ouvidos para os motores frenéticos para lá e para cá. Buzinas, o baque surdo dos trotes rápidos no asfalto... Ônibus, carros, ônibus, motos, carros, Motos, ônibus, carros, motos... Um sem fim de motores, buzinas e arranques...

A sensação de surdez ao adee da profundidade do descanso. Enfim, toca no celular.
Passos leves, arrastam-se pelo chão de madeira. Até alcançar o clique do interruptor na sala.
Mais um clique e a torneira jorra água fria... Acordar...

Mais uma meia dúzia de sons até que se possa chegar à cozinha... Os passos ainda soam preguiçosamente pelo chão de madeira.

Louça tilintando, café coando num som oco da água fervente caindo no vidro da jarra. Banana amassando. Gente acordando...

Os passos já soam apressados e calçados pelo assoalho de madeira... Alarme de carro. Abre porta, fecha porta, prende o cinto, o ronco do motor... Do nosso...

Uma acelerada, uma buzina de agradecimento pela passagem... Cidade em movimento.

Beijo pra lá, beijo pra cá, saudações, te amo, bom dia, cuidado...

O plec plec plec pelas escadas, a campainha do metro... humpf... Perdi o primeiro! O som do vento... o chacoalhar da eletricidade pelos trilhos... Abre a porta, campainha, avisos e mais avisos...

O arrastar dos passos na transferência... Vozes desconectadas em conversas sem nexo ecoam pelos túneis.

O plec plec plec pelas escadas. O destampar dos ouvidos para os motores frenéticos para lá e para cá. Buzinas, o baque surdo dos trotes rápidos no asfalto... Ônibus, carros, ônibus, motos, carros, Motos, ônibus, carros, motos... Um sem fim de motores, buzinas e arranques...

A sensação de surdez ao adentrar a caixa de vidro, ferro e concreto do escritório, o som dos passos acelerados ecoa alto pelos corredores. Mais campainhas, uma voz sem rosto anuncia o elevador... Engrenagens... A voz sem rosto anuncia o andar.

Ecoam os passos, o falso som do silêncio, devagar a balburdia recomeça... Algumas vozes, telefones tocam, mais um tanto de conversas desconexas pra lá pra cá, cliques de porta frequentes, mas não constantes anunciam recém-chegados. Teclados estalam sem parar sob os dedos vorazes de seus algozes.

Um pouco da cidade frenética pela janela do banheiro, livre do zunir das lâmpadas e do ar condicionado. Motores roncam, buzinas tocam, taxistas assoviam...

Mais um tanto de cidade, um barulho a mais com o roncar dos estômagos famintos... Frases soltas pelo ar: “Me traz um isso”. “Me traz um aquilo”... Inhacs, inhams e glups sem fim...

A surdez momentânea da caixa de vidro, ferro e concreto... Engrenagens... Telefones e bla bla bla...

Um pouco menos de ruído eletrônico para os que ficam com um computador desligado e um teclado estafado.
Saudações, tchau, até logo, até amanhã, bom descanso...

Mais passos apressados batendo seco no asfalto... Outras tantas conversas desconexas, carros, ônibus, buzinas, motos, ônibus... Plec plec plec, campainha, avisos e mais avisos...

Cumprimentos, oi, boa noite, como foi o dia... Uma sinfonia de alimentos... Arruma daqui, arruma dali... Tudo pronto para amanhã.

No abrigo da caixa de concreto, janela fechada, enfim, só o barulho relaxante do chuveiro... A água que escoa suavemente pelo ralo.

Silêncio.

Na cama, alguns baques de porta ao longe. Longe o som do futebol no vídeo game e o plic plic dos comandos no joystik... Mais um teclado massacrado... Bem, bem longe mais um chuveiro relaxante ecoa pelo concreto do prédio... Um ônibus na avenida...

Silêncio.
Silêncio.
Silêncio.

Ilustração de Helton Souto.

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Vanessa Lira é artista plástica e utiliza a fotografia e o desenho como linguagens de expressão. Escreve desde os 10 anos. É mãe de Theo de 2 anos. Esposa, amiga e companheira de Anderson Lira, que lhe cedeu o nome, há quase 8 anos. Trabalha com gestão educacional no terceiro setor. Blog: http://macroolhar.wordpress.com/

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Nasci em 76. Ribeirão Preto. Casado. Desenho e pinto desde sempre. Graduado em Ciências Sociais. Pesquisa em artes plásticas e assentamento rural. Estudei Bispo do Rosário. Participei de mostras coletivas e salões de arte. Fui arte-educador, ministrei curso de HQ, desenho e roteiro, fui professor de História. Desde 2003, trabalho no Instituto Ayrton Senna na área de projetos de educação e juventude. E não parei de desenhar e pintar. Blog: WWW.andarnapedra.blogspot.com; Flickr: http://www.flickr.com/photos/heltonsouto-andarnapedra/sets/; Facebook: WWW.facebook.com/heltonsouto

 

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07/10/2012