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We’ll always have Paris / 2° e 3° Arrondissements de Paris; Les Halles; o ventre de Paris, 1

André Carretoni

Minha esposa e eu vivemos durante quatro anos no segundo arrondissement de Paris, na Rue d’Argout, num dos bairros mais centrais da cidade. Em 2008, quando chegamos de Portugal, pedimos para visitar aquele que seria o nosso futuro apartamento principalmente porque ele fica a dez minutos a pé do meu trabalho. Contudo, uma vez descoberto o que significava morar ao lado da Rua Montorgueil, decidimos não ir mais a lugar algum, mesmo depois de ter mudado de emprego e ter ido trabalhar em uma das portas da cidade.

A Rua Montorgueil foi um achado. Não encontramos melhor lugar para o nosso café da manhã sabatino. Infelizmente, ela não possuía uma esplanada perfeita, mas mesmo assim era onde começávamos invariavelmente os nossos sábados.

Moramos perto dos museus do Louvre e Pompidou e na boca do estômago dos transportes públicos parisiense: a estação Les Halles, local onde ficava o antigo mercado de Paris, o ventre de Paris, título de uma das obras de Émile Zola.

E por falar em ventre, aqui vai um pequeno léxico daquilo que mais gostava de comer em Paris. Acho que não custa nada tentar falar o idioma do país onde estamos. É uma questão de interesse e respeito pela cultura local, apesar de já me ter sentado em restaurantes na França e o garçom me ter dado as boas vindas em inglês.

Excusez-moi, je voudrais... = com licença, eu gostaria de…
Un croissant aux amandes = croissant com amêndoas
Une flute gana = uma baguette mais encorpada
Du magret de canard = pato cortado em fatias
Un cannelé = pequeno doce de canela
Un beignet au caramel = sonho com recheio de creme de leite
Un pavé de rumsteack saignant = um grosso pedaço de carne mal passado
Des escargots à l’ail = caracol no alho quente
Un tartare de saumon = tartare de salmão
Un tournedos façon Rossini = carne com fígado de ganso
Des coquilles St-Jacques = videira
Des pâtes aux truffes = pasta com molho de trufas
Un café allongé = café numa grande taça
Un verre de vin rouge = uma taça de vinho tinto
Une carafe d’eau = uma garrafa de água da casa
S’il vous plaît = por favor
Merci = obrigado

Transformei-me num amante da culinária francesa, mas também tenho apreciado o lado piquenique, principalmente aqueles que são feitos na margem do rio Senna, mais exatamente na ponta da Île de la Cité e com uma vista imaginária para as esculturas renascentistas que estão no Louvre.

Compre um presunto cru, três ou quatro queijos franceses, duas baguettes, um vinho, alguns pratos e copos descartáveis, guardanapos, alguns salgadinhos e uma água gasosa e coloque tudo isso numa mochila, junto de uma canga, algumas facas e um saca-rolha. Mais perfeito ainda apenas se o piquenique for feito com um grande amigo, quem talvez esteja passando pela cidade.

Voltando a la rue d’Argout…

Hoje, quando alguém me pede para aconselhar um hotel em Paris, digo para que procure um que fique num dos três primeiros arrondissements, já que fazer o acampamento nesses bairros facilita tanto a vida de quem está na cidade para viver quanto das pessoas que estão em Paris apenas a passeio. Claro que os apartamentos e os hotéis são mais caros, mas preferimos viver num estúdio bem localizado e seguro a uma casa onde a noite terminava cedo.

A partir da estação Les Halles, você pode:

Norte : Aeroporto Charles-de-Gaule (RER B)
Montmartre
Pigalle

Sul : Aeroporto Orly (RER B)
Boulevard Saint-Germain
Jardim de Luxemburgo

Leste : Disneylândia Paris (RER A)
Bastilha
Père-Lachaise

Oeste : La Défense (RER A)
Arco do Triunfo
Torre Eiffel

O que facilita a vida na hora de voltar pra casa se você quiser jantar tanto perto da Torre Eiffel quanto em Montmartre, tanto na Place de la Contrescarpe quanto em Pigalle.

Bem, não sei se você irá seguir os meus conselhos, não sei se você irá improvisar ou se você irá seguir algum guia turístico, mas uma coisa é certa: uma vez em Paris, para sempre Paris.

"We’ll always have Paris."

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Ilustração de Helton Souto

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Fotos de Silvana Gusmão

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André Carretoni nasceu no Rio de Janeiro, em 11 de Janeiro de 1971; formou-se em informática e, em 1998, partiu para a Europa, em direção ao desconhecido. Escritor expatriado, consciente do longo caminho que tem pela frente, segue em busca de sua verdadeira humanidade. É autor dos romances Piedade moderna (2005), Mais alto que o fundo do mar (2008) e outros. Escreve em carretoni.com e é colaborador de Tertúlia.

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Helton Souto nasceu em 76. Ribeirão Preto. Casado. Desenha e pinta desde sempre. Graduou-se em Ciências Sociais. Foi arte-educador. Foi professor de História. Trabalha em ONG, com educação e juventude. E não parou de desenhar e pintar. Blog: Andar na pedra; Flickr; Facebook.

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Silvana Gusmão é socióloga, fotógrafa, amante das viagens, da moda, das artes, fã do David Bowie, casada com Helton e adora seu cachorrinho: o Yoda.

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05/08/2012