)Blog(

Notre-Dame / Os miseráveis; Victor Hugo; Paris; quarto arrondissement;

André Carretoni

Quando comecei a ler Os Miseráveis, em 2001, acreditava que este seria capaz de destruir o miserável que eu tinha em mim. Mais do que uma lição de estilo, buscava, através de sua leitura, encontrar o meu próprio humanismo, sentimento este até hoje inacessível.

Tampouco terminei de ler o livro.

Verdade seja dita: o livro é enorme e contém demasiados detalhes. Contudo, isso não nos impede de o colocarmos na próxima sonda espacial Voyager, dando sequência à sinfonia de Beethoven e aos números primos.

No quarto arrondissement, há a Place de Voges, última morada do escritor Victor Hugo. Aliás, aconselho a verem o filme que conta a história de uma de suas filhas, Adele H, que, assim como Camille Claudel, enlouqueceu de amor e foi representada pela bela Isabelle Adjani, antes de, dizem, também ter enlouquecido. Nesse filme, poderão ver a praça e ela.

Coincidentemente, dentro do mesmo arrondissement, também encontramos a Catedral Notre-Dame, palco de outra obra do mesmo escritor e testemunha do amor incondicional entre a cigana Esmeralda e o corcunda Quasimodo. E aposto que muitos ficarão surpresos ao saberem quem havia escrito tal livro.

E como esquecer a ilha de St-Louis, com suas poucas e charmosas ruas a se espalharem em todas as direções de Paris através de pontes, inclusive daquela, onde podemos ver a estátua de San Geneviève, que foi esculpida com o mesmo material e pelo mesmo escultor que fez uma das mãos do Cristo Redentor.

L'Hotel de Ville, com suas exposições; le village de St-Paul, sempre referenciado nos livros de turismos; Les Marais, para quem gosta de boates GLS.

O mais engraçado é que minha esposa e eu nos mudamos de Paris e acabei escrevendo este texto sentado num café em Antibes, no sul da França, mas a poucos metros de um busto de Victor Hugo, que passou quaisquer horas aqui em 1839 e que guardou um ótimo souvenir desta cidade.

"Tout ici rayonne, tout fleurit, tout chante. Le soleil, la femme, l'amour sont ici chez eux. J'en ai encore le resplendissement dans les yeux et dans l'âme."

O mesmo que ele sentiu por Antibes, sinto por Paris, que está aqui, que ficará para sempre aqui, levando-me a adaptar sua criação.

"Tudo em Paris irradia, tudo estonteia, tudo encanta. Os cafés, a mulher, o amor nos fazem sentir lá em casa. Eu ainda tenho o resplendor de tudo isso dentro dos olhos e da alma, mesmo depois de ter partido."

<>_<>

Ilustração de Helton Souto.

<>_<>

André Carretoni nasceu no Rio de Janeiro, em 11 de Janeiro de 1971; formou-se em informática e, em 1998, partiu para a Europa, em direção ao desconhecido. Escritor expatriado, consciente do longo caminho que tem pela frente, segue em busca de sua verdadeira humanidade. É autor dos romances Piedade moderna (2005), Mais alto que o fundo do mar (2008) e outros. Escreve em carretoni.com e é colaborador de Tertúlia.

<>_<>

Helton Souto nasceu em 76. Ribeirão Preto. Casado. Desenha e pinta desde sempre. Graduou-se em Ciências Sociais. Foi arte-educador. Foi professor de História. Trabalha em ONG, com educação e juventude. E não parou de desenhar e pintar. Blog: Andar na pedra; Flickr; Facebook.

 

  • 262_06_saudade_no_3_from_trois_saudades_ii_dance.play

24/06/2012