)Futebol(

Santos sempre Santos / 100 anos de futebol arte

Renato Alessandro dos Santos

O Titanic não afundou no mesmo dia em que o Santos foi fundado, exatamente, 100 anos atrás, em 14 de abril de 1912. A revista da National Geographic deste mês conta a história do transatlântico. O iceberg apareceu às 23h40, mas o navio só naufragou no dia seguinte, às 2h19 da madrugada. Fazendo as contas, quando o famoso navio imergiu, o alvinegro praiano já havia emergido na cidade de Santos, às 22 horas e 33 minutos do dia anterior, quando Raimundo Marques, de acordo com o que conta Vladir Lemos em O dia em que me tornei santista (Panda Books), formalizou a criação do time de futebol que, um século depois, por causa de Pelé e Cia., é um dos clubes mais conhecidos no mundo inteiro.

Em seguida, a grande questão foi: que nome dar à criança? África, Brasil Atlético, Euterpe e Concórdia foram alcunhas sugeridas, mas nenhuma delas foi unanimemente aplaudida até que, acima da cabeça de Antônio de Araujo Cunha ou de Edmundo Jorge de Araújo, um dos dois, uma lâmpada acendeu-se como nos gibis da Disney e veio a sugestão: “uai, que tal Santos Futebol Clube?”. Touché. Nascia o clube que, anos & anos depois, passaria aquele vexame mundial após ser espancado pelo Barcelona em 2011, mas que teve a honra de, no passado, contar com jogadores como Pelé, Carlos Alberto Torres, Mengálvio, Mauro, Zito, Clodoaldo, Pepe, Coutinho, Gilmar, Rodolfo Rodríguez, Giovanni, Robinho, Diego, Lima, Serginho Chulapa, Juary, Araken Patuska, Calvet, Dorval e que, hoje, conta com Neymar, Ganso, Léo, Elano, Arouca, Rafael, Edu Dracena, Borges e outros atletas que levam adiante o legado do Santos Futebol Clube, em que passado e presente encontram-se para celebrar uma história gloriosa: o Alvinegro Praiano conseguiu parar uma guerra na África; fez nos anos 1960 o que o Barça faz em 2012 com o futebol e que nunca deixou de revelar jogadores, os meninos da Vila, que brotam no campo de grama baixa do Urbano Caldeira com uma bola fantasista anexada aos pés.

Pena que o torcedor que nasceu após a passagem fulgurante de Pelé, Coutinho e Cia., não teve a sorte de ver esses jogadores em campo. As poucas imagens da época tentam dar conta da magia que fez vibrar as cordas vocais de nossos pais e avôs nos anos 1960, mas mostram apenas fragmentos do que era aquele Santos em campo. A boa notícia é que, hoje, a despeito do que sabemos da história do Santos, há filmes como Pelé eterno, a ser visto não apenas por torcedores santistas, mas por pais e filhos que, juntos, têm no futebol um ponto em comum a ser levado adiante, e, além disso, o maravilhoso, santástico e inacredincrível documentário Santos - 100 anos de futebol arte que, como cereja na cobertura do bolo, só vem deixar as velinhas mais e mais brilhantes. Não viu esse documentário ainda e é santista? O risco de não ir para o céu é grande. Tem de ver. Hoje, a ESPN reprisa o filme às 23h30. É para deixar qualquer torcedor do Santos Futebol Clube emocionado, e emocionado, e emocionado. Até porque eis aí dois filmes esclarecedores a todos que queiram saber mais sobre o Santos e, claro, sobre Pelé. E não vamos nos esquecer dos livros, especialmente, os de Odir Cunha, que não deixam a história do Santos morrer. Nunca.

Pontos luminosos

Quando alguém se lembra do significado dos pontos luminosos na vida de uma pessoa, isto é, dos grandes momentos vividos & exaltados vida afora, nesses 100 anos do time da Vila Belmiro ninguém deve esquecer-se de cada uma das taças que estão na sala de troféus da Vila e, também, das partidas antológicas, especialmente duas (ou seriam quatro?), como a ocasião em que o Santos venceu o Benfica, em Portugal, por 5 a 2, em 1962, ou quando Giovanni comandou o time na vitória de 5 a 2 sobre o Fluminense no Pacaembu, em 1995. Lembra dessa partida? Não?! Foi quando os jogadores ficaram no meio do campo, sem descer ao vestiário no intervalo, emocionando cada torcedor santista que, naquela noite, foi dormir com um sorriso marejado de alegria. Ah, Santos... Sem contar partidas como a final do Brasileirão de 2002, com as oito pedaladas desconcertantes de Robinho diante de Rogério, quando o Santos venceu o Corinthians por 3 a 2, ou mesmo uma partida de 1958, quando o Santos venceu o Palmeiras por 7 a 6, com gols serelepes de Pepe; esse jogo é especial porque, no primeiro tempo, o Santos vencia por 5 a 2; no segundo, o Palmeiras virou para 6 a 5, mas faltando pouco minutos para terminar o jogo, o Peixe fez dois gols... Ah, Santos...

Happy birthday to you

Como mais um torcedor santista que herdou do pai a paixão pelo Santos Futebol Clube só posso festejar esses 100 anos de futebol, lembrando que a festa nunca termina, ainda mais se Neymar, Ganso e Cia. continuarem infernizando a defesa adversária por muitos e muitos anos ainda. E como hoje é dia de festa, parabéns ao Santos, aos torcedores, aos jogadores e ao futebol, que, por causa do time da Vila Belmiro, se tornou mais popular e um dos esportes mais festejados no mundo todo.  

Curiosidades*

Nesses 100 anos de história do Santos, muita coisa aconteceu; dentre elas, algumas curiosidades que merecem ser lembradas:

Zaluar, goleiro do Corinthians de Santo André, tomou o primeiro gol de Pelé. A bola passou entre suas pernas.
 
Zito, maior volante da história do Santos, é também campeão de sinuca.
 
Mengálvio, o lendário volante e armador santista, após parar de jogar, foi trabalhar como fiscal de cinemas.
 
Coutinho era conhecido como Cotinho. Foi a imprensa de Santos que acrescentou o "u". Maior parceiro de Pelé em campo, ele jogava tão bem quanto o camisa 10 santista. Como ambos eram negros, a torcida confundia-se, tentando descobrir quem era um e quem era outro. O problema foi resolvido após Coutinho passar a usar um esparadrapo no pulso.
 
O “hino” do Santos não é o hino do Santos. Muita gente pensa que “Leão do mar” (“Agora quem dá bola é o Santos...”) é o hino do Santos, mas não é. Composta para comemorar o título de 1955, quando a história do Santos começou a se tomar épica, “Leão do mar” teve de dar passagem ao hino oficial do Santos, criado em 1957, com letra e música de Carlos Henrique Roma, e que pode ser ouvido clicando no ícone abaixo, à esquerda. 

Santos sempre Santos.
Para sempre.
E sempre.

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Ilustração de Pelé, com a bola e 100 pontinhos luminosos, por Helton Souto.

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* Curiosidades retiradas do livro O dia em que me tornei santista, de Vladir Lemos (Panda Books: São Paulo, 2007).

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Meu nome é Renato Alessandro dos Santos. Tenho 39 anos, um filho de onze anos, Théo, e uma mulher que amo, Silvia. Sou doutorando em Estudos literários na UNESP, de Araraquara, e autor de Mercado de pulgas: uma tertúlia na internet (Multifoco) e da dissertação A revolução das mochilas: de On the road à lenda de Duluoz – a literatura beat de Jack Kerouac. Sou, também, um dos autores de Crônico: crônicas brasileiras ilustradas (Multifoco) e de Desafios e perspectivas das ciências humanas na atuação e na formação docente (Paco editorial, 2012). Sou professor e coordenador do curso de Letras no Centro Universitário Claretiano e apaixonado por música, cinema, literatura e pelo Santos Futebol Clube; e-mail: realess72@gmail.com; perfil no Facebook (Renato dos Santos Santos).

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Helton Souto nasceu em 76. Ribeirão Preto. Casado. Desenha e pinta desde sempre. Graduou-se em Ciências Sociais. Foi arte-educador. Foi professor de História. Trabalha em ONG, com educação e juventude. E não parou de desenhar e pintar. Blog: Andar na pedra; Flickr; Facebook.

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14/04/2012