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Tertúlia no Caipiro Rock /

Renato Alessandro dos Santos

No dia 9 de julho de 2011, Tertúlia foi a Serrana participar do Caipiro Rock, evento feito por pessoas que, juntos, fazem a festa acontecer, como tem de ser. A festa, aqui, são shows e shows de bandas independentes, varal de poesia, aulas de bateria, venda de CD’s e camisetas de bandas, troca de fanzines e por aí vai. Do it yourself, lembra qualquer punk de carteirinha, e o pessoal do Caipiro Rock não deixa essa filosofia morrer. Por isso, Sacramento [MG], Serrana, Ribeirão Preto, Monte Azul Paulista e São Simão, todas cidades paulistas, receberam shows de bandas e mais bandas, como Cólera e Macaco Bong, que em linhas do tempo opostas foram as principais atrações do Caipiro Rock em Serrana, que começou justamente com Tertúlia e o bate papo sobre fanzines, com o tema “Do papel para o digital: a experiência do fanzine Tertúlia”, e em seguida contou com apresentações de Sol Nascente, Íbis, Zé Brasil, Colégio Interno, Dualid, Necrofobia, Cane’s Foot, The Burk e os já citados Macaco Bong e Cólera.

Tertúlia estava lá

Falar de fanzines é falar de xerox, cola, tesoura, criatividade e revolução. Revolução? Por que não? Há mais de 15 anos, Marcel Plasse, no O Estado de S. Paulo, definiu as coisas: “Os zines são o meio underground por definição. Xerox e revolução”. Revolução que hoje atingiu um ápice difícil de ser contornado: com a internet, quem deixará de criar um blog para fazer fanzine? Pois é. Tertúlia, o site, nasceu do fanzine homônimo e, hoje, repousa na rede, em preto & branco, esperando pelos seus incansáveis seis leitores. Seis leitores aos quais saúdo, enquanto levanto este copo de cerveja em homenagem a vocês, garotas & garotos que não nos abandonam jamais. Valeu pai, mãe, filho, esposa, sogra e a você aí que, por aqui, está a ler essas linhas mal amarradas.

De volta a Serrana

O lugar não poderia ser outro: uma sala de 4m2, como uma sala de aula pequena. Mas sem ser uma sala de aula. Entende? E, como professor, havia à minha disposição data-show, internet, retroprojetor, três toalhas brancas. Não foi preciso nada disso. Só uma caixa de som & um microfone. Tivesse eu um banquinho e um violão também não seriam necessários: a ausência de talento como seresteiro é sempre uma decepção a qualquer um. Mas o mais importante estava ali bem diante de mim: pessoas dispostas a conversar sobre fanzines. E o bate papo rolou pelo chão, pelas paredes, pela porta afora. Estavam lá: Théo, Sementinha de Mostarda, cunhados & cunhadas, minha sobrinha Mariana, alguns punks, alguns ativistas culturais e algumas pessoas dispostas a ouvir um sujeito de 30 e poucos anos falando sobre os anos 90, Revolução Francesa, Kaspar Zine, Timothy Leary, Midsummer Madness, cítaras, beatniks, cartas de Cuba, dos EUA e de outros países. Foi possível contar algumas histórias também.

Uma delas

Quando foi lançada a terceira edição do fanzine Tertúlia, Ricardo Alexandre, jornalista que trabalhava no Estadão, escreveu uma resenha da qual nunca me esqueço e que começava assim: “Saiu o melhor fanzine feito no Brasil até hoje. Tertúlia é sobre...” Uau! Foram os primeiros 15 minutos de fama. Tudo bem que, uma semana depois, Ricardo se redimiu: “Só foi eu escrever que Tertúlia era o melhor fanzine do país para o pessoal do...” e citava o nome de outro zine que deixava Tertúlia em segundo plano. Tudo bem. Não havia competição. Até porque ninguém lucra $$$ alguma com essas revistas feitas por fãs, daí o nome. Nos anos 90, os zines circulavam via correio, dentro de envelopes com a carismática inscrição “Carta Social”, em que o selo custava um centavo. Você sabe que até hoje esse tipo de correspondência existe, não é? Falo de “carta social” e, não, de cartas. Mas se você tem menos de 15 anos, uma pergunta: você já mandou uma carta a alguém? Daqui a um tempo nem mesmo e-mails serão necessários, e o Facebook está aí, mas já teve o prazer de enviar uma carta a alguém e esperar pela resposta dias depois, enquanto a vida vai se arrastando? Pois é. Os fanzines, mais do que nunca, estão vivos. Na rede. Principalmente.

Cabe agradecer aqui a todo o pessoal do CECAC. Lembrem-se de Hélio Oiticica, rapazes: “Seja marginal; seja herói”. Cabe agradecer ao João, meu ex-aluno de Letras, que me convidou. Cabe agradecer a Gabriel Ruiz, do Portal Fora do Eixo, que cobriu o Caipiro Rock e comentou a mesa redonda sobre fanzines, e ao Marco Aurélio Buzetto, que também comentou a conversa em seu blog Culturama. E cabe agradecer a todos que estiveram lá, em Serrana, e a todo mundo que sempre está por aqui, dando uma força ao Tertúlia. Grazie, guys.

Mercado de pulgas: uma tertúlia na internet

Foi possível comentar também sobre a iminente publicação do livro Mercado de pulgas, que traz textos publicados aqui, no Tertúlia, e que será lançado em agosto pela editora Multifoco, do Rio de Janeiro. É o primeiro livro, e, como o primeiro sutiã, você já sabe, a gente nunca esquece.

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Abaixo, ouça baixinho esse rapaz em forma [de quibe] e com a voz do Flipper, caso o golfinho camarada tivesse uma voz, falando sobre Tertúlia e fanzines no Caipiro Rock [em manutenção]. Em seguida, ouça, a todo volume, “Sangue de bairro”, de Chico Science & Nação Zumbi e, depois, “Shoes”, do imprescindível Second Come, além de algumas músicas que sempre acompanharam Tertúlia até aqui.

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Meu nome é Renato Alessandro dos Santos. Tenho 39 anos, um filho de dez anos, Théo, e uma mulher que amo, Silvia. Sou doutorando em Estudos literários na UNESP, de Araraquara, e autor da dissertação A revolução das mochilas: de On the Road à lenda de Duluoz – a literatura beat de Jack Kerouac. Sou professor e coordenador do curso de Letras no Centro Universitário Claretiano e apaixonado por música, cinema, literatura e pelo Santos Futebol Clube. Em agosto, publico Mercado de pulgas: uma tertúlia na internet (Ed. Multifoco). E-mail: realess72@gmail.com; Facebook.

Helton Souto nasceu em 76. Ribeirão Preto. Casado. Desenha e pinta desde sempre. Graduado em Ciências Sociais. Pesquisa em artes plásticas e assentamento rural. Estudou Bispo do Rosário. Participou de mostras coletivas e salões de arte. Foi arte-educador e ministrou curso de HQ, desenho e roteiro. Foi professor de História. Desde 2003, trabalha no Instituto Ayrton Senna na área de projetos de educação e juventude. E não parou de desenhar e pintar. Blog: Andar na pedra; Flickr; Facebook.
 

  • 217_15_sangue_de_bairro.play

  • 217_12_-_second_come_-_shoes.play

  • 217_04_-_three_little_birdies_down_beats_-_exit_planet_dust.play

  • 217_19_faixa_19.play

31/07/2011