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De quem é a culpa? / 13° Arrondissement

André Carretoni

Falar do décimo terceiro arrondissement de Paris é falar da China. Também existe uma Chinatown aqui. Ruas, e ruas, e os prédios mais feios de Paris lotados de chineses e de fábricas escondidas, e restaurantes, e lojas especializadas em produtos chineses e em tudo o que precisamos para abrir o nosso próprio restaurante de sushi/sashimi. Eu sei que essa é uma comida típica do Japão, mas tampouco as miniaturas da Torre Eiffel são feitas por descendentes da casa de Bourbon.

Impossível esta crônica não ter um lado político. Não tenho nada contra os bons chineses - pelo contrário: quando via os filmes de Bruce Lee, sempre ficava com raiva dos japoneses que tratavam os chineses como cães - mas, com o tempo, sabendo o que a República Popular tem feito ao povo tibetano o que a República Popular tem feito para massacrar a liberdade de expressão, passei a gritar contra os seguidores da mosca Tsé-Tsé-Tung. Hoje apenas aprendo Kanji para ser capaz de ler a língua do sol nascente.

Pecado. Bruce Lee não fez uma crítica ao regime comunista em seus filmes. O máximo que ele fez foi matar o símbolo indestrutível do capitalismo: Chuck Norris!

Hoje vivemos todos numa grande Chinatown! Vestimos tecidos chineses, usamos computadores chineses e apertamos parafusos chineses com chaves de fenda chinesas. Produtos sem qualidade, trabalho escravo, falsificações e monopólio. A China não tem o menor interesse de destruir a sua fonte de renda, seja ela qual for.

Vocês sabem por que a União Europeia mudou de ideia e acabou emprestando dinheiro para a Grécia e para Portugal? Porque a China prontamente se ofereceu para ajudá-los e a UE sabia que não podia deixar que esses países se vendessem.

De quem é a culpa?

Nossa. Da sociedade moderna. Pois as pessoas preocupadas por problemas que estão longe de seus olhos fazem parte da minoria. Um problema é apenas preocupante quando bate em nossa porta.

Ops! Quase me esqueci de falar da biblioteca François Miterrand, que também fica no 13º arrondissement e que tem a forma de dois livros abertos, o que teria sido um lapso imperdoável para quem procura viver de literatura.

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André Carretoni nasceu no Rio de Janeiro, em 11 de Janeiro de 1971; formou-se em informática e, em 1998, partiu para a Europa, em direção ao desconhecido. Escritor expatriado, consciente do longo caminho que tem pela frente, segue em busca de sua verdadeira humanidade. É autor dos romances Piedade moderna (2005), Mais alto que o fundo do mar (2008) e outros. Escreve em carretoni.com e é colaborador de Tertúlia. 

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26/06/2011