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Auguri! / Salão do livro de Paris;15o arrondissement

André Carretoni

Ontem fui ao Salão do Livro de Paris, curiosamente quando tinha de escrever sobre o décimo quinto arrondissement. E, melhor ainda, de graça, pois a organização do salão resolveu, neste ano, liberar a entrada para todas as pessoas que apresentassem a carteira de leitor das bibliotecas de Paris.

Hoje estou aqui para falar sobre esse salão, mas não posso deixar de aproveitar o ensejo para elogiar a rede de bibliotecas municipais que temos por aqui, com uma qualidade de serviço e um acervo de obras a perder de vista. A inscrição é gratuita, e posso pegar emprestado, por três semanas e com direito a duas renovações, até quarenta livros.

Assim como nos outros dois anos em que fui ao salão de livros, a Île-de-France em massa deslocou-se em direção ao centro de convenções de Paris, pois o francês não é apenas um leitor inveterado como também várias pessoas veem, nos dias do salão, uma bela oportunidade para tirar fotos com autores conhecidos.

Confesso que também tenho meu lado tiete. Ano passado, ano em que até trabalhei no salão para ajudar um amigo, pedi em italiano a Umberto Eco uma dedicatória em um exemplar de Il Nome della Rosa que comprei às pressas. Disse-lhe que meu avô era italiano e que eu também era escritor e, para minha felicidade, ele me desejou tudo aquilo que eu quero: auguri!

Espalhados por cinquenta e cinco mil metros quadrados, agentes, associações, instituições, universidades, livrarias, editoras, distribuidoras, revistas literárias e canais de televisão e de rádio. Impossível de ver tudo, ou de caminhar em linha reta: pardon, pardon, pardon. A única coisa da qual eu realmente senti falta foi de livros em língua portuguesa.

Vários estandes também ofereciam aos novos talentos alternativas à publicação de seus livros (via internet, sob demanda etc.).

Claro que, no fundo, sabemos que não é o amor à literatura que faz essa grande roda girar, mas o dinheiro. O verdadeiro escritor ama escrever e quer viver de sua escrita, mas daí até a distribuição de sua obra é outra história. O verdadeiro leitor ama ler e quer informar-se, mas daí até o que lhe é oferecido no interior das livrarias, também, é outra história. Contudo, a França ainda vive da literatura, e a língua francesa é um patrimônio nacional, o que vai completamente de encontro a esse mundo tecnológico e de entretenimentos onde hoje vivemos.

Para o leitor de Tertúlia ter ideia melhor do que estou dizendo, aconselho-o a olhar esta página, onde poderá encontrar vários endereços de revistas francesas especializadas em literatura.

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André Carretoni nasceu no Rio de Janeiro, em 11 de Janeiro de 1971; formou-se em informática e, em 1998, partiu para a Europa, em direção ao desconhecido. Escritor expatriado, consciente do longo caminho que tem pela frente, segue em busca de sua verdadeira humanidade. É autor dos romances Piedade moderna (2005), Mais alto que o fundo do mar (2008) e outros. Escreve em carretoni.com e é colaborador de Tertúlia.

 

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27/03/2011