)Futebol(

Enquanto isso, na série A3 do Campeonato Paulista... / Batatais 2 x 3 Santacruzense

Renato Alessandro dos Santos

Théo & eu chegamos atrasados e, nem bem pusemos os pés (frios) no Osvaldo Scatena, o time da Santacruzense fez 1 a 0. Impressionante. Os administradores do estádio e do time do Batatais Futebol Clube, daqui a pouco, vão nos impedir de entrar ali. Já estava me sentindo o próprio Uruca — sim, ninguém menos do que aquele personagem azarado dos Flinstones — e não deu outra: hoje, embaixo de um sol impetuoso, o Batatais perdeu por 3 a 2. Agora, o Fantasma da Mogiana amarga a penúltima colocação no Campeonato Paulista da Série A3, com cinco pontos.

Fazia muito tempo que nossos quatro pés gelados não pisavam no estádio. Em 2010, com muitos jogos às quatro da tarde de domingo, praticamente, deixamos de prestigiar o Fantasma da Mogiana em casa. Uma pena. Até porque esse é o horário dos jogos de domingo na TV e, também, a hora da sesta para Etienne e Isadora, respectivamente, o bicho-preguiça de estimação e a solitária pessoal que, lânguidos, descansam no fundo do meu coração, enquanto a segunda-feira não chega.

Na arquibancada coberta, encontramos uma porção de gente que saiu de casa para torcer para o Fantasma. Antes do jogo, imaginei que pouca gente iria ao estádio — algo que poderia resultar em tratamento VIP para nós: por exemplo, pensei que Théo teria a sua disposição o pipoqueiro e o sorveteiro, enquanto eu poderia sentar-me em vários lugares durante a partida, só porque o estádio estaria vazio, mas, depois, pensando melhor, percebi que não teria muita graça ficar mudando de lugar toda hora. Tremenda perda de tempo, porque de nada me valeram esses pensamentos edificantes; afinal, a arquibancada coberta estava lotada, em plena tarde de quarta-feira.

Uma partida de futebol

Aos seis minutos do primeiro tempo, Billy chutou no canto esquerdo do goleiro Potty. 1 a 0 para a Santacruzense. Aos 18, bem perto do lado direito da grande área, Kléber Luiz bateu falta com muita força; a bola desviou no elmo do zagueiro Rufino e foi parar no fundo da rede. 1 a 1. Delírio do torcedor batataense, enquanto eu & Théo começamos a coçar nossos pés, como pés de coelhos, para dar sorte. Não adiantou nada. O pior é que, depois do gol do Batatais, o time da casa poderia ter matado a partida: jogando muito bem, Fantasma da Mogiana acabou empurrando o time da Santacruzense para a defesa, mas com uma falta de pontaria tremenda — como aos 25, em outro chute forte de fora da área— o jogo continuava empatado. Aos 29, dois urubus voavam graciosamente sobre o campo; aos 30, um jogador da Santacruzense acertou a bola na barreira, numa cobrança de falta malograda. Aos 35, nova cobrança de falta, mas Kléber Luiz jogou a pelota por cima do gol. Um pênalti aconteceu, a favor do Fantasma, mas o juiz fez vista grossa. Aos 37, Théo  terminava seu primeiro saquinho de pipoca. Na sequência, nova falta a favor do Batatais, mas o goleiro espalmou e jogou a bola por cima do travessão. Aos 42, Santacruzense quase marcou; aos 43, a chance foi novamente do Fantasma, mas o atacante não conseguiu dominar a bola. Era o fim do primeiro tempo. Chato, né?

Nervoso em Batatais?

Aos dois minutos do segundo tempo, Washington marcou para a Santacruzense, para desalento da torcida da casa. Se o empate já era catastrófico, imagine perder o jogo. Aos 5, Émerson, também conhecido como Nhanhá, cabeceou para fora. O jogo foi se arrastando. Aos 20, o técnico André Oliveira resolveu tirar Émerson para colocar Cristiano. Se o jogo já estava ruim, após essa malsucedida substituição, a coisa piorou para o Batatais: aos 27, a Santacruzense quase fez um gol olímpico; aos 30, um jogador da casa sofreu falta dentro da área, mas o juiz, novamente, esboçou sua melhor cara de paisagem e ainda deu um cartão amarelo ao jogador derrubado na área. Como é preciso botar a culpa em alguém, é mais fácil imaginar que a culpa é mesmo do juiz, esse bode expiatório cuja mãe é constantemente lembrada em campos de futebol. Por essa altura, a torcida começou a ficar cada vez mais nervosa não apenas com o juiz, mas com o time do Fantasma, que não conseguia ferir o time adversário.

Ficar nervoso em Batatais é um problema: corre à boca pequena a história entre dois homens que, por aqui, de calças curtas e em guarda, foram surpreendidos pela esposa de um deles. A mulher do sujeito ainda teve de ouvir: “E não fale nada, porque eu estou nervoso!” Pronto! Depois disso, ninguém mais quer ficar nervoso em Batatais. O pior é que a torcida estava ficando nervosa. Mas cabe registrar que eu mantive o espírito lá em cima, sorridente e tranqüilo (sei), enquanto Théo esperava por mais um saquinho de pipoca com bacon.

Aos 32, um jogador do Batatais titubeou na frente do gol e não chutou a bola. A torcida torceu o pescoço dele. Aos 33, o goleiro batataense não conseguiu segurar um chute forte e, mais uma vez, a torcida torceu o pescoço dele também. Aos 36, o cadafalso: o atacante Tom, que acabara de entrar em campo, substituindo Washington, num contra-ataque mirabolante, chutou no canto esquerdo do goleiro. 3 a 1 para a Santacruzense. Já era hora de muita gente arredar o pé (frio) dali. Marley, eu & Théo ficamos ali, como quem não quer nada. Até que deu certo, pois aos 47 o atacante Cristiano ainda fez um gol. Mas de nada adiantou. Final: 3 a 2 para a Santacruzense, time que saiu de Santa Cruz do Rio Pardo para encher de caraminholas a cabeça dos dirigentes do Fantasma da Mogiana.

Batatais 2 x 3 Santacruzense

Local: Estádio Dr. Osvaldo Scatena, em Batatais-SP

Árbitro: Rodrigo Gomes Paes Domingues
Assistentes: Orlando Massola Junior e Adilson Roberto de Oliveira
Cartões Amarelos: Felipe Pazian e Grafite (Batatais); Zé Ilton (Santacruzense)
Cartão Vermelho: Zé Ilton (Santacruzense)
Gols: Cléber Luiz aos 18’/1T e Cristiano aos 47’/2T (Batatais); Billy aos 6’/1T, Neto Mineiro aos 2’/2T e Tom aos 36’/2T (Santacruzense)

Batatais
Potty; Felipe Pazian (Grafite), Paulinho, Jéferson Volpe e Cleber Luiz; Bozó, Béle (Paulo Henrique), Bia e Fágner; Émerson (Cristiano) e Léo Souza.
Técnico: André Oliveira

Santacruzense
Pitarelli; Leandrinho, Zé Ilton, Rufino e Ruan; Rafael Rocha, Diogo Kachuba, Magno e Washington (Tom); Neto Mineiro (Pedrinho) e Bily (Diogo Avaré).
Técnico: Carlos Alberto Seixas

 

23/02/2011