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Venus in furs / 17º arrondissement

André Carretoni

Se classificássemos as cidades por gênero, diríamos que Madrid é homem, Sevilha, mulher, Berlim, homem e Florença, mulher. Veneza, amantes, Londres, sir, Barcelona, juventude e Lisboa, Amália Rodrigues. Paris? Bien sûr! Paris, mulher. Uma mulher cheirosa, elegante, de seios nus e com uma bandeira na mão — uma mulher que, sem dúvida, estaria vivendo no décimo-sétimo arrondissement.

Não tenho muito para dizer sobre esse canto de Paris, contudo, chegamos ao bairro onde moraram Rita Hayworth, Sarah Bernhardt e as escritoras Françoise Sagan e Colette; onde também viveram a família Dumas, Debussy, Manet, Ravel e Verlaine, mas quem quer falar do Paul, quando se tem diante de si Michelle, ma belle?

Paris é assim: ela é bela como Hayworth, inteligente como Colette, frágil e independente como Sagan e acima dos homens, como Sarah. Penso que não exista um registro visual de Sarah Bernardt representando, mas ninguém ousa negar seus talentos. Paris é admirada, desejada e amada por todos. Paris é inesquecível, mesmo para aqueles que nunca a viram. Paris é virgem, Paris é mulher. Paris perdoa tudo, mas, como disse a própria Sarah, Paris não esquece.

Sex & the city

Rita Hayworth, atriz americana. Ela foi o sex symbol feminino dos anos 40. Chamada de "A Deusa do Amor", ela se transformou numa lenda viva com seu papel principal no filme Gilda. Ela foi casada com Orson Welles e com o príncipe Aly Khan. Ela habitou no número 36 da rua de Prony.

Sarah Bernhardt, atriz do teatro francês. Ela era chamada de "A Voz de Ouro" (expressão de Victor Hugo) ou "A Divina", mas também de "A Escandalosa". Considerada por muitos como uma das maiores atrizes da tragédia francesa do século 19, ela foi a primeira atriz a ter feito turnês triunfais por cinco continentes. Sarah Bernhardt habitou o número 35-37 da rue Fortuny e o número 56 do boulevard Pereire.

Françoise Sagan, escritora francesa. Ela escreveu, aos dezoito anos, uma bela dissertação francesa que a tornou célebre — em quaisquer meses, 500.000 exemplares do livro Bonjour Tristesse foram vendidos. A jovem escritora encarnou, então, uma nova geração de mulheres que recusava o conformismo. Ela viveu sua infância e adolescência no boulevard Malesherbes.

Colette, escritora francesa, eleita membro da Académie Goncourt em 1945. Mulher de letras, ninguém conseguia igualar o verbo de Colette quando se tratava de descrever a sensualidade de uma flor, ou o perfume de uma fruta. Colette habitou na rue Saint-Senoch nº 93, na rue de Courcelles nº 177 e na rue Torricelli nº 25.

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André Carretoni nasceu no Rio de Janeiro, em 11 de Janeiro de 1971; formou-se em informática e, em 1998, partiu para a Europa, em direção ao desconhecido. Escritor expatriado, consciente do longo caminho que tem pela frente, segue em busca de sua verdadeira humanidade. Dentre outros livros, é autor do romance Mais alto que o fundo do mar (2008). É colaborador de Tertúlia.
 

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13/02/2011