)Literatura(

É dia de feira / 10a Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto

Renato Alessandro dos Santos

A 10ª edição da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto começa hoje. Até o dia 20 de junho, nas praças XV de Novembro e Carlos Gomes, livros e futebol estarão dividindo o coração daqueles que terão de optar entre ficar em casa, e assistir aos jogos da Copa, ou ir à Feira. Pergunta: por que as semanas de Feira coincidem com a Copa do Mundo? Literatura e futebol convivem numa boa, certamente, mas um evento competir com o outro talvez não fosse necessário, não é mesmo, pessoal? Tudo bem, na sexta à tarde, eu irei à Feira ver Xico Sá e Socrátes falar sobre futebol e outras estripulias que passar pela veneta deles, mas eu queria MUITO (também) ficar em casa e ver Uruguai e França pela TV. Situações como essa acontecerão em outros momentos e, mesmo assim, darei preferência à Feira, à exceção dos dias em que o Brasil jogar, porque aí não há leitor-torcedor que aguente, não é mesmo?

E o que há de bom na Feira deste ano? Vamos começar com a música. Por que não? Milton Nascimento estará lá – Flávio Venturini e Lô Borges também. Sim, Clube da Esquina, para quem gosta e puder ir, hoje (10/06). Bacana, não é? E o que mais? Prepare-se para enfrentar fila nos estacionamentos e o trânsito moroso ao redor da Feira. Sim, pois não é todo dia que se pode ver (de graça): Nana Caymmi (11/06), Pedro Luis e a parede (12/06), Roberta Sá (13/06), Tom Zé (14/06), João Donato e Emílio Santiago (15/06), Martinho da Vila (16/06), Maria Gadu (17/06), Erasmo Carlos (18/06), Los Porongas (19/06, 14h), Zélia Duncan (19/06) e Rosas de Ouro (20/06). Eu, particularmente, preferiria ver & ouvir Mutantes, Wry, Garotas Suecas ou mesmo bandas de jazz experimental. Coisas assim. Até porque o acesso aos shows seria menos tumultuado. Mas, como diria Rimbaud, “eu é um outro” e, no meu caso, não conta. De qualquer forma, por que não ir à praça assistir aos shows de Nana Caymmi, Clube da Esquina, Pedro Luis e a parede, Roberta Sá e Tom Zé?

E os autores? Quem são? Pela ordem, vale a pena estar presente aos bate-papos com – como já mencionado – Xico Sá e Socrátes (sexta, 11/06, 16h), Tatiana Levy ( 12/06, 16h), Tony Bellotto (13/06, 9h), Mouzar Benedito (13/06, 10h30), Luiz Puntel (15/06, 8h), Carola Saavedra (15/06, 13h), Pedro Bandeira (15/06, 18h30), Antonio Torres e Regina Rennó (16/06, 10h), Cristovão Tezza (16/06, 15h), Carlos Heitor Cony e Moacyr Scliar (16/06, 18h30), Martinho da Vila (17/06, 10h30), Jorge Mautner (17/06, 16h), Ricardo Daunt (18/06, 10h30), Laurentino Gomes (18/06, 15h), Josimar Melo (18/06, 16h), Marco Aurélio Nogueira (18/06, 18h30), Ignácio de Loyola Brandão (19/06, 9h), Daniel Galera, Rafael Coutinho e Daniel Pelizzari (19/06, 14h). Vale a pena? Sem dúvida.

Sem contar que haverá três seminários durante a Feira, dentre eles, o Seminário de leitura e literatura infanto-juvenil e o Seminário Dramaturgia (presença de Mario Bortolotto e outros). E oficinas: Artes Visuais e Fotografia, Capoeira, Cinema, Dança Criativa, Dança de Rua, DJ/MC, Grafite, Inclusão Digital, Iniciação Circense e Teatro. Sinceramente, gostaria de me inscrever em todas, mas vou optar por (1) Cinema e (2) Artes Visuais e Fotografia. Pensei em Capoeira e Dança Criativa, mas ainda não danço como deveria – em outras palavras: minhas gordurinhas localizadas não deixam... Ah, importante, importantíssimo: no domingo, 20 de junho, às 10 horas, é hora de assistir a Orquestra Sinfônica de Ribeirão Preto, no Theatro Pedro II.

É dia de feira. Oba. Tenho até medo de comparar a programação em Ribeirão com os horários dos jogos da Copa. Claro que, a cada dia, ou no dia anterior, estarei atento ao que será transmitido lá da África do Sul. Sei que terei de sacrificar alguns autores, deixando de ir a esses bate-papos. Se bem que posso gravar cada jogo e assisti-los depois. Por que não? Tenho medo é do bicho-preguiça que bovinamente circunda meu esqueleto. Sei que, nessas horas, será mais convidativo estatelar-se diante da TV e assistir a uma partida de futebol, cervejinha & acepipes (claro!) a tiracolo. Por outro lado, por melhor que seja o jogo em alguns casos, não há como não ir à Feira e deixar de ouvir o que um escritor tem a dizer. Nesses momentos, na pior das hipóteses, talvez seja melhor correr até o boteco da esquina e acompanhar um joguinho, entre um escritor e outro.

Começou a 10ª edição da Feira do Livro. Você não vai ficar o tempo todo diante da TV, vai?

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10/06/2010