)Entrevistas(

"Eu amava a coleção Vaga-Lume, quando era adolescente", diz Thalita Rebouças / "Vaga-Lume", literatura infanto-juvenil, Thalita Rebouças

Renato Alessandro dos Santos

No mesmo dia em que passaram por Ribeirão Preto, dentre outros, Xico Sá, José Miguel Wisnik e Celso Antunes, a escritora Thalita Rebouças fez uma apresentação impagável e divertida. Era tarde de sábado, 20 de junho de 2009, terceiro dia da 9ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. Eram tantas crianças e adolescentes que o auditório Meira Júnior tornou-se ainda menor. A solução foi transmitir o bate-papo para um telão do lado de fora, no saguão, onde muita gente se amontoou para ver a escritora. Esfuziante, Thalita mandou beijos e palavras de carinho para a câmera e, logo em seguida, “Mas eu sou besta mesmo”, comentou. “Imaginem se, do lado de fora, não há ninguém e eu estou aqui, elétrica, mandando tchauzinho e beijinho... Aí, passa alguém, e comenta ‘quem é essa louca?’”. Risos da plateia. Thalita tinha o auditório - e o público lá fora - nas mãos, em parte, por seu carisma e empolgação e, além disso, pela quantidade de fãs – garotas e mais garotas, pré-adolescentes e adolescentes dos 13 aos 16, que fizeram uma porção de perguntas à autora e, festa, após cada resposta. A simpatia, simplicidade e boa-vontade da escritora com todo mundo faz dela uma pessoa admirável. Os fãs agradecem.

Thalita Rebouças tem um público-leitor cativo ao seu redor. Em seu site, uma coisa chama atenção, “Meu jeito de vender”, seção onde comenta a estratégia para abordar jovens leitores. “Sem querer atrapalhar, já atrapalhando”, diz a autora a um hipotético e futuro leitor, “posso te dar um pirulito por dois minutos da sua atenção?”. E, em seguida, argumenta: 

“Calma, eu vou explicar. Eu não sou vendedora. Sou escritora, autora deste livro aqui, ó: Tudo por um Pop Star. Não é porque é meu, não, mas este livro é um espetáculo! A história é divertidíssima, as personagens são tuudo de bom, é uma aventura que fala de fama, celebridades instantâneas, amizade, flashes, gritos, lágrimas... tem um teste no final para você descobrir que tipo de fã você é... enfim, é simplesmente sensacional. E é livro, ou seja, fica para a vida toda, e nada melhor do que ter uma coisa para a vida toda, né? Sem contar que ainda vai com autógrafo! E a gente não sabe o dia de amanhã, né não? Vai que eu fico famosa! Você vai ser de vanguarda! Vai ter me descoberto antes de todo mundo e ainda vai ter meu autógrafo! Aí, quando eu for hipermegasuper famosa você ainda vai poder leiloar o meu autógrafo! Ou seja, pode vir a faturar alto, altíssimo comigo! Eu, sinceramente, não vejo motivo para você não levar este livro para casa!”

Não é a praia de Tertúlia e, por isso, nunca havia ouvido falar nada de Thalita Rebouças, mas milhares de crianças e adolescentes sim. São eles que leem seus livros e a têm em boa conta. O trabalho da escritora arrasta cada vez mais leitores dispostos a enveredar por sua literatura infanto-juvenil, levando-os nessa idade a descobrir o prazer da leitura. Aconteceu com Fala sério, mãe!, Tudo por um pop star, Tudo por um namorado, Uma fada veio me visitar e por aí vai... Cabe lembrar que, na maioria das vezes, a literatura infanto-juvenil é um arcabouço maniqueísta, onde herois são herois e bandidos são bandidos. Não há meio-tom. Além disso, ainda há o demérito politicamente correto... Uma pergunta: alguém viu a literatura passar em cima de um carrinho de rolimã? 

Após sua apresentação, a escritora falou ao Tertúlia. Como o assédio lá fora era grande, não houve tempo senão para uma única pergunta. O que Thalita Rebouças respondeu, a respeito de livros infanto-juvenis que leu na adolescência, você descobre clicando no ícone abaixo, à esquerda.
 

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26/10/2009