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Fantasma perde em casa e decepciona torcedores / União São João de Araras, Fantasma da Mogiana, Batatais Futebol Clube, Copa Paulista de Futebol

Renato Alessandro dos Santos

Aos 42 minutos do segundo tempo, após um chutão para cima rumo ao gol do Fantasma, a bola foi parar nos pés do goleiro Fabrício, do Batatais. Ele deveria ter chutado para frente, com força, desvencilhando-se do atacante Fred, do União São João, de Araras. Mas não conseguiu. O jogador do time adversário só teve o trabalho de mirar o gol e chutar. Era o terceiro gol do time visitante, para desespero, revolta e impaciência dos torcedores batataenses com o arqueiro do Fantasma. Minutos depois, o atacante Nhanha (Emerson) faria o segundo gol do Batatais. Mas o que poderia significar um raio de sol entre nubladas nuvens teve efeito contrário e, em vez de comemorar, a torcida xingou ainda mais o goleiro da casa. O porquê da reação é compreensível: não fosse a falha do goleiro no terceiro gol do União, e o pênalti perdido por Nhanha, o jogo terminaria empatado, o que significaria trocar seis por meia-dúzia, pois o empate em nada mudaria a situação do Fantasma, que necessitava da vitória, e de combinação de resultados, para se classificar para a próxima etapa da Copa Paulista de Futebol. Com a terceira derrota consecutiva, o desarrumado time do Batatais dá adeus à classificação, ficando na penúltima colocação do Grupo 2, com apenas 14 pontos, embora ainda tenha mais uma partida fora de casa.

O jogo

Para ficar mais perto da Torcida Unida do Fantasma (TUF) e do Comando Alvi-Rubro, Théo & eu ficamos na arquibancada descoberta do Osvaldo Scatena. Atrasados, nem bem entramos no estádio, e já vimos o União de Araras abrir o placar aos nove minutos com Luisão, após cobrança de falta de Junai, muito mal defendida por Fabrício que, de onde estava, parece ter falhado. Desentrosado, com dois atacantes sempre adiantados, o Batatais não aproveitava rebotes e tratava com desvelo a pelota, que sofria em campo. Foi um primeiro tempo que, ofensivamente, pertenceu ao time visitante. Aos 32 minutos, o jogador número três do União pôs a mão na bola, descaradamente. Pênalti para o Batatais. Nhanha foi lá, chutou e... perdeu a oportunidade de empatar a partida. Mérito do goleiro? Não. Mérito da trave esquerda, que impediu o gol numa cobrança malograda do atacante batataense, que ouviu maledicentes palavras tamanho GG de toda a torcida. Um minuto depois, mais uma vez, Nhanha teve chance de marcar para o Fantasma, mas desperdiçou, chutando na trave direita. Tamanho é documento. Há jogadores que precisam de gol com dimensão maior para ferir o outro time. Uma pena. Houve mais um ou outro lance de gol para ambos os lados, mas ninguém conseguiu balançar a rede.

Bacon & sorvete de groselha

Com o fim do primeiro tempo, o bar parecia nos puxar como um imã até ele, e lá fomos nós. Ninguém demonstrava inconformismo com a derrota parcial do time da casa. Talvez porque, depois do que se viu em campo, um a zero parecia de bom tamanho a um clube que não se mostrava muito predisposto à vitória. Voltamos aos nossos lugares. Théo não estava preocupado, dessa vez, só com o pipoqueiro; o sorveteiro também descobriu o quanto esse menino gosta de sorvete de groselha e chocolate. Mas os pedacinhos de bacon no meio da pipoca ainda são os prediletos de Théo e, quatro saquinhos depois, o menino estava extasiado de bacon.

Pelada

O segundo tempo começou, e aos cinco minutos o Batatais empatou o jogo. O puxão de orelha no vestiário surtiu efeito? Que nada. Aos 13, o camisa sete do Fantasma deu lugar ao 16; em sua primeira participação, ele cabeceou para cima e fez a bola parar nos pés dos jogadores do União São João. Aos 25, o jogo já voltava ao que era: o Batatais tentava articular alguma jogada, mas criatividade é uma palavra que não fez parte da linguagem ludopédica do time do Fantasma, infelizmente, nessa manhã de domingo (& já há um certo tempo). Não bastasse o descompasso em campo, o jogador com a camisa 16, que entrara há pouco, ganhava um cartão amarelo & um pirulito. “Que beleza!”, diria Milton Leite, comentarista de futebol do Sportv, caso estivesse narrando o jogo. Maltratada, a bola ia e voltava, sem saber muito bem o que estava fazendo ali. Quando o segundo tempo já contava com 28 minutos de pelada, para desespero da torcida do Batatais, um impedimento do ataque do Fantasma fez o juiz ouvir mais palavras proscritas. Um minuto depois, ele expulsou Jean, um dos melhores jogadores do Batatais em campo. Mais desacato da torcida à autoridade do juiz. Aos 37, Felipe, camisa 5 do time da casa, foi expulso. Quando o jogo já passava dos 39 minutos, três gols ainda estavam para acontecer: aos 40, 2 a 1 para o União São João, com um chute rasteiro no canto esquerdo; aos 42, mais um gol do Ararinha, como mencionado no início deste texto, após falha cinematográfica de Fabrício; já nos acréscimos, aos 47, gol de Nhanha, segundo e último gol da partida, que terminaria 3 a 2 para o União de Araras.

Melancolia & Comando Alvi-Rubro

Após o vexame, resta o jogo com o Mogi Mirim fora de casa, que não quer dizer mais nada para o Fantasma. Os meninos da torcida Comando Alvi-Rubro, que assistiam ao jogo perto de mim & de Théo, Walter Cardoso Neto, 17, Vinícius Henrique de Oliveira, 13, Maurício Ferreira Módena, 13, Gustavo Gandolfi Dutra, 14, e Rafael Campos Nogueira, 15, mereciam mais de seu time do coração. Aconteceu de novo: melancolia pura em mais uma manhã de domingo em Batatais.

 

Ficha técnica

 

Batatais 2 x 3 União São João

Local: Estádio Dr. Osvaldo Scatena, em Batatais
Árbitro: Paulo Estevão Alves
Cartões amarelos: Felipe, Jean e Fernando (Batatais); Luan e Luisão (União São João)
Cartões vermelhos: Jean e Felipe (Batatais); Luisão (União São João)
Gols: Rodrigo e Iaiá (Batatais); Luisão, Robson e Fred (União São João)

Batatais
Fabrício; Wescley, Gabriel (Jean), Moraes e Fernando; Felipe, Marcelinho, Rodrigo e Gustavo; Iaiá e Evandro (Luís Carlos).
Técnico:Ivair dos Santos

União São João
Galassi; Thiago, Luisão, Castan e Alex Nunes (Rafael); Edmar, Cambara, Junai e Evandro; Robson e Luan (Fred).
Técnico: Edson Vieira

 

20/09/2009