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"Não existe jornalismo para a literatura infantil", diz Pedro Bandeira / 9a. Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, literatura infanto-juvenil, Pedro Bandeira

Renato Alessandro dos Santos

Na tarde de quinta-feira, 25 de junho de 2009, Pedro Bandeira deixou o palco do Theatro Pedro II feliz da vida. Era a 9a. Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto em seu oitavo dia.

Enquanto durou seu bate-papo com o público, o encontro foi muito bom para a plateia, que esteve em suas mãos por pouco mais de uma hora. Como o ator Dennis Quaid em A fera do rock (1989), ao interpretar um incendiário Jerry Lee Lewis ao piano, o autor saiu ovacionado por crianças, adolescentes, professores e toda sorte de gente que se divertiu ouvindo-o falar de livros, da carreira de escritor, do iminente Xuxa e o fantástico mistério de Feiurinha, filme cuja origem está em um dos livros mais divertidos do autor (O fantástico mistério de Feiurinha), além de uma porção de outras coisas que o fizeram descer, radiante como um girassol, as escadas que dão acesso aos bastidores do teatro. 

Até 2006, o escritor havia vendido 20 milhões de livros. Não é pouco neste sertão em que se lê tão pouco. A molecada gosta de suas histórias e da maneira como Pedro Bandeira as conta; seus títulos não são bem conhecidos apenas por quem está adolescendo; muitos leitores que, hoje, ostentam seus vinte e poucos anos já passaram por suas narrativas. Obras como seu primeiro livro, O dinossauro que fazia au-au, A droga da obediência, A droga do amor, A marca de uma lágrima, Descanse em paz meu amor e outros de seus 77 livros publicados ainda estão em cartaz nos catálogos de editoras como Moderna, Ática e outras casas que têm no leitor juvenil seu maior público.

Após falar com Folha de S. Paulo e repórteres de outros jornais, Pedro Bandeira conversou com Tertúlia por último, e por poucos minutos, antes de ser tragado pela multidão de adolescentes que o aguardava para casquinhas literárias como fotos, autógrafos e e-mails. Ele falou sobre Bentinho (“Você tem de ler Dom Casmurro em vários momentos da sua vida”), Raskolnikof e de outros personagens literários, como Dom Quixote. Disse que não há jornalismo voltado para a literatura infanto-juvenil. O que é algo a se lamentar. “A minha resenha são os professores e as crianças que leem”. Com um sorriso que, como o bigode, parece nunca ter deixado seu rosto, comentou ter visto Pelé ainda moleque no Santos Futebol Clube. Quem gosta realmente de futebol sabe o que isso significa. Juvenis leitores, por favor, cheguem mais perto: Pedro Bandeira tem algo a dizer.

Para ouvir a entrevista do autor ao fanzine Tertúlia basta clicar no ícone abaixo, à esquerda.
 

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03/09/2009