)Sarau(

[gr]ávido de poesia

das coisas loucas e lindas\foi que retirei o sumo da vida\e o sorvi no nosso jardim secreto\entre flores sem nome\e aves hoje já extintas\\dançavas, oh, felicidade\ tão nua e tão perto\que bastava estender a mão\para te colher\e te possuir ali mesmo\\ engravidei-te, felicidade,\de insensatez e esperança\e, invejosos de nossa plenitude,\ te sequestraram\te bateram\e te fizeram abortar -\no entanto,\o natimorto fruto desse crime...\chamou-se Vida! e, ainda que morto,\era melhor e mais precioso...

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)Contos(

O gordinho

O gordinho bom fim de semana trabalhava em uma das portas da cidade (talvez a única) e, todas as sextas-feiras (provavelmente, todos os dias eram sextas-feiras), quando as pessoas, nas idas e vindas, o encontravam (situação inevitável), ele dizia: bom fim de semana. O gordinho era craque nisso, como se tivesse sido concebido especialmente pra essa função. Passava a mão no cabelo, estufava o peito, encolhia a barriga, o sorriso vinha quase, mas quase mesmo, naturalmente, a sobrancelha era alta...

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)Livros(

Mortes no paraíso

A literatura policial sempre foi um gênero instigante, capaz de atrair os mais diversos tipos de leitores. Mas, durante muito tempo, o gênero permaneceu marginal no Brasil. Para isso existem várias hipóteses. A principal delas, que provoca sua pouca aceitação no meio universitário, é que o gênero segue sempre uma fórmula prescrita, permitindo a seus autores produzir grande número de histórias. Portanto, aqui, faltaria originalidade. Outra hipótese, sobretudo tratando-se do nosso país, seria a...

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)Sarau(

Baile Funk

Este é o poema do cume\ [do erudito ao não dito\ da cumeeira sem beira\ que do cume agito\ acima abaixo\ a fora e a dentro\ de um pretendente\ pra sempre\ a ser gente] do cume lado do presidente\ que do cume fala\ que do cume governa\ que do cume só pra com um cálice\ cálice cálice\ o cume trouxe\ estrume lado\ na mão\\ o cume lado do presidente\ moro do paraná\ toda vez que sobe o cume\ desce o cume lado\ o cume lado desce\ e do cume lado moro\ a galope o golpe\ do cume vaza...

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)Contos(

Celsius 232,778

As primeiras coisas que fiz foram sair das redes sociais, entrar no meu correio eletrônico, enviar as minhas mensagens para a lixeira e esvaziá―la. A seguir, suprimi o meu site do servidor, apaguei os arquivos que tinha enviado para nuvens, cancelei as minhas participações em blogs, exclui as minhas inscrições de fóruns, formatei o meu computador, coloquei as minhas chaves USB e os meus CDs e DVDs dentro de um saco e fui até o quintal, acender uma fogueira. Uma vez que o lume pegou e...

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)Livros(

Pulmões de Cronos

Amortalha, de Matheus Arcaro, é um livro com vinte e um contos. Na mesma trilha de seu romance, O lado imóvel do tempo, o autor usa como material de criação literária a temática da morte e das perdas, ou ainda a perspectiva de que sempre há algo que nos falta. No embate vida / morte; amor / ausência, as narrativas constroem-se e entrelaçam-se, como se apreciássemos uma longa exposição em que quadros e mais quadros não completassem o sentido de nossa existência, mas que mostrassem o seu sem...

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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...