)Sarau(

Encosta sua literatura na minha

Avoante \\Quero verbalizar a dor imensurável de ter perdido você,\ Mas não dá.\ Então me afasto, fico puto, sou ríspido contigo,\ Essas coisas de coração partido.\ Em pensamento, estou velando seu sono.\ Abençoando seu caminho, mesmo diferindo do meu. Portanto, libertarei suas asas,\ Porque você é a coisa mais linda da vida E precisa ir.\ Porque você canta desafinado e doce\ Feito uma pombinha assustada. Porque se aninhava em meu peito como se eu pudesse protegê-la de qualquer coisa...

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)Livros(

Cego Aderaldo – a vasta visão de um cantador

Comum, em minha infância, apelidarmos as crianças que usavam óculos - nossos amigos de sala de aula, das brincadeiras em final de tarde na nossa rua - de Cego Aderaldo. Os nerds de hoje, por conta dos óculos, são os Cegos Aderaldo de minha infância. Temo o apelido se extinguir, nos novos tempos de nerds e de grande crescimento tecnológico. Este livro é pela manutenção do apelido de Cego Aderaldo. Cada vez que chamarmos alguém de Cego Aderaldo estaremos, mesmo inconsciente, evocando a figura...

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)Blog(

Precisamos falar sobre Kevin

Gosto de Kevin Spacey, como gosto de Woody Allen; não na mesma proporção, mas ambos terão no seu curriculum a acusação do sexo mais vil, seja o estupro seja a pedofilia. Uma pena. Em nosso tempo, distinguir o artista de sua vida é impossível. Mas sempre haverá aqueles a quem Annie Hall ou House of cards falem mais alto. De fato fica difícil separar as coisas. Mas é preciso. Falemos de Kevin e deixemos de lado, Woody, casado e neurótico, esse inegável artista genial. Falemos de Kevin, porque..

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)Contos(

A gestação de um pai

É verdade, nunca vi teu rosto, tua pele, teus olhos. Mas o que sinto é algo que tenta se ajeitar nas minhas frestas e acaba vazando. Primeiro, pelos olhos: o líquido a escorrer rosto abaixo e salgar os lábios. Segundo, pela boca: as palavras trôpegas de um homem que nunca falou com alguém cuja carne é fruto da carne dele. Mas eu falo. Falo e sei que tu me escutas. Sei que reconheces na minha voz o veículo do afeto. Tua mãe está deitada no sofá, exibindo pra mim a parte de fora da tua casa...

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)Música(

Ode à dor-de-cotovelo, coisa nossa

Em um show que o Oduvaldo Vianna Filho escreveu, "Telecoteco, Opus n. 1", na década de 1960, para a dupla Dilermando Pinheiro e Cyro Monteiro, dois figuraças do samba brasileiro no século XX, há uma sequência de músicas chamadas de “dor-de-cotovelo”: coisa da lavra de Ismael Silva, Wilson Baptista e, claro, Lupicínio Rodrigues. Para abrir, Cyro Monteiro diz que “o brasileiro nasceu talhado para dor de cotovelo”, que ela é “patente nossa”. De fato, se olharmos para nossa lírica, ao menos desde...

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)Sarau(

meu coração farpado

Pássaro com farpas nas asas e\ buracos\ de tiro\ no meio da alma,\\ voa\\ mesmo sabendo que sangra,\ mesmo sabendo que parte, \mesmo sabendo que luta \contra a revoada,\contra a maré \e contra \o vento.\\ Voa \\ao relento de suas penas...

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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...