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)Livros(

As cores do camaleão

Que você é esse? ― de Antonio Risério, é um romance composto de duas partes, com capítulos alternados entre si, cada um correspondendo a uma dessas mesmas partes. A primeira narrativa, “O solar do sertão” apresenta um Brasil recém-descoberto e é uma espécie de mergulho nas origens e na formação do país, regredindo a nossos antepassados africanos, alguns deles ainda habitando seus países de origem. A princípio, tudo leva a crer que se trata de narrativa de extração histórica, de formação...

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)Sarau(

jarid

Cria\\ aceitei que sou louca\ que meus joelhos rangem e meus cotovelos furam\meus olhos latejam\as pálpebras tremem\aceitei minha loucura como uma gravidez de cadela\ de poucos meses\e muitas tetas\o problema de ser louca\e ter a cabeça cheia de ideologias\convicções e fantasias [políticas]\é que não te oferecem um quarto sem trancas\um refeitório branco com bandejas vazias\a prole da minha insanidade desceu pelas minhas pernas\estendendo os braços\e já tinha alguns anos...

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)Sarau(

lírica abissal

prólogo\\porque eu posso\atravessar o deserto\comigo mesmo\\levá-lo\debaixo dos pés,\dos olhos,\dos sonhos,\dos medos\\porque eu povoo\sou além\das areias que somem\ no horizonte\além das miragens\o deserto,\me teme\\ *** \\um canto onde |entre cantos|auscultar o silêncio\\ *** \\ sim,\asas.\\um voo indômito,\solitário.\nenhuma certeza, ou\querência.\pouso, sequer presença.\\nenhuma espera,\e o tempo\que (só) passa:\uma ausência\\já quase sem nome...

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)Sarau(

Colecionando cicatrizes

Tudo caminha \ Nas ruas, nas rotas e nos rumos, \ romeiros em trânsito, \ tudo caminha \ nas beiras das províncias.\\ É quase um fluxo das fomes \ essa gente escorrendo para o sul \ feito sangue \ nas artérias da geografia da sede. \\ Tudo caminha, \ nas beiras das províncias, \ os homens e as foices, \ os bois e as canas. \ É um contínuo resvalar \ das caravanas \ desse povo que anda, \ que segue \ e se exila \ nas beiras das províncias.

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)Sarau(

Crônica

A mala era maior do que ele. Quadrada. Pesada. Intrusa. Instalou-se no centro da sala. Entre o sofá e o criado, mudo. Ficava me olhando. Insinuando. Impedia a passagem. Atraia a sujeira. As roupas não cabiam. Um par de meias, camisa de botão. Um chinelo que a vida se encarregou de pisar. A alça era rubra, obscena. Da cor dos cabelos que um dia cultivei. Uma das rodas estava quebrada. Protuberava. Um nome na etiqueta o acusava. Dois, na verdade. Chorou bastante. O suficiente. Teve dor de dente...

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)Sarau(

o arrebol azul

cicatriz \ madrugada \ rosa \ teu \ corpo \ sobre \ o meu \ corpo \ latejando \ azul \\ tirésias virtual \ longa mensagem avesso \ virulento do bordado \ desvario na ínfima tela \

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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...