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)Livros(

Três autores e um destino

Tentativas de capturar o ar, de Flávio Izhaki, é um romance que começa em tom de farsa. Há uma “nota do editor” informando que “o livro a seguir é incompleto”. Na verdade um pesquisador, cujo nome é Alexandre Pereira, juntava material para escrever a biografia de Antônio Rascal, maior escritor brasileiro dos últimos 30 anos, segundo o livro. Mas Pereira, o pretenso biógrafo, falece num acidente automobilístico. Mesmo assim, o editor decide publicar o material. Completando a nota, há...

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)Literatura(

A literatura como possibilidade ontológica do homem

O presente artigo propõe uma investigação das possibilidades da arte, mais especificamente da literatura, como porta-voz da condição humana em sua profundidade e contradições. Para tanto, construímos o texto em três partes. A primeira, trata da dissolução da noção de verdade, enfatizando, por um lado, o contexto cultural propício para isso (passagem do século XIX para o XX) e, por outro, as críticas de Friedrich Nietzsche à tradição conceitual da Filosofia. A segunda parte aborda os atributos...

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)Cinema(

Três filmes para hoje

A primeira cena de La La Land tem cerca de dez minutos e é uma espécie de aviso: “você está aqui para ver um musical!”. Corta para um sujeito comendo bife de fígado, com os olhos semiabertos, cara de feliz e fazendo “hummmm”… Essa cena só é possível com uma condição básica: gostar de bife de fígado. Corta para um viaduto com dezenas de carros parados em um engarrafamento e todas os motoristas e caroneiros cantando e dançando, subindo nos capôs, sorrindo, enfim, uma verdadeira festa...

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)Contos(

59 minutos

Acordou antes do despertador, como se tivesse cravado no cérebro: cinco e meia. Não precisou conferir, nem recordar a sequência: abrir a janela com a ponta dos dedos, usando a palma da mão para abafar ruídos, sabendo que ao erguer a vidraça sentiria a madeira subindo, subindo no mesmo trilho há anos, deslizando resignada; depois apoiaria os cotovelos em cima do batente branco esfolado. No quarto escuro e ainda frio, o silêncio cortado por um suspiro gordo e paciente, porque agora era hora de...

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)Cinema(

50 anos depois daquele beijo

Thomas (David Hemmings) é um fotógrafo de moda e na moda. É arrogante, tem tudo que quer e, em Blow-up – depois daquele beijo (1966), de Michelangelo Antonioni, vai aprender uma lição. Profunda. É uma alegria para os olhos o que se vê neste filme. O espectador, após poucos minutos de exibição, tem certeza de que está diante de um dos grandes filmes do cinema. Um dos melhores, mesmo que tenha ficado fora da seleção dos 100 melhores filmes, da revista Bravo (R.I.P.), e dos 501 filmes que...

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)Contos(

Picadeiro de urina

Tem gente que nasce pra fazer o som e gente que nasce pra ouvir. Eu me contento em ouvir. Embora já tenha feito. Faz tempo, na época em que eu tinha uma camiseta igual a do Kurt Cobain na foto de uma revista com a letra traduzida de Territorial Pissings. Quase ninguém se ligava na ilustre sósia que virou o meu uniforme, mas eu não apenas a vestia, eu a carregava feito um patuá. Um rolê com ela e eu já não pertencia mais ao mundo ordinário. Quer dizer, eu continuava nele, mas com o encanto de...

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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...