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)Livros(

Cego Aderaldo – a vasta visão de um cantador

Comum, em minha infância, apelidarmos as crianças que usavam óculos - nossos amigos de sala de aula, das brincadeiras em final de tarde na nossa rua - de Cego Aderaldo. Os nerds de hoje, por conta dos óculos, são os Cegos Aderaldo de minha infância. Temo o apelido se extinguir, nos novos tempos de nerds e de grande crescimento tecnológico. Este livro é pela manutenção do apelido de Cego Aderaldo. Cada vez que chamarmos alguém de Cego Aderaldo estaremos, mesmo inconsciente, evocando a figura...

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)Blog(

Precisamos falar sobre Kevin

Gosto de Kevin Spacey, como gosto de Woody Allen; não na mesma proporção, mas ambos terão no seu curriculum a acusação do sexo mais vil, seja o estupro seja a pedofilia. Uma pena. Em nosso tempo, distinguir o artista de sua vida é impossível. Mas sempre haverá aqueles a quem Annie Hall ou House of cards falem mais alto. De fato fica difícil separar as coisas. Mas é preciso. Falemos de Kevin e deixemos de lado, Woody, casado e neurótico, esse inegável artista genial. Falemos de Kevin, porque..

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)Contos(

A gestação de um pai

É verdade, nunca vi teu rosto, tua pele, teus olhos. Mas o que sinto é algo que tenta se ajeitar nas minhas frestas e acaba vazando. Primeiro, pelos olhos: o líquido a escorrer rosto abaixo e salgar os lábios. Segundo, pela boca: as palavras trôpegas de um homem que nunca falou com alguém cuja carne é fruto da carne dele. Mas eu falo. Falo e sei que tu me escutas. Sei que reconheces na minha voz o veículo do afeto. Tua mãe está deitada no sofá, exibindo pra mim a parte de fora da tua casa...

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)Música(

Ode à dor-de-cotovelo, coisa nossa

Em um show que o Oduvaldo Vianna Filho escreveu, "Telecoteco, Opus n. 1", na década de 1960, para a dupla Dilermando Pinheiro e Cyro Monteiro, dois figuraças do samba brasileiro no século XX, há uma sequência de músicas chamadas de “dor-de-cotovelo”: coisa da lavra de Ismael Silva, Wilson Baptista e, claro, Lupicínio Rodrigues. Para abrir, Cyro Monteiro diz que “o brasileiro nasceu talhado para dor de cotovelo”, que ela é “patente nossa”. De fato, se olharmos para nossa lírica, ao menos desde...

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)Sarau(

meu coração farpado

Pássaro com farpas nas asas e\ buracos\ de tiro\ no meio da alma,\\ voa\\ mesmo sabendo que sangra,\ mesmo sabendo que parte, \mesmo sabendo que luta \contra a revoada,\contra a maré \e contra \o vento.\\ Voa \\ao relento de suas penas...

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)Sarau(

Sertanejo

Ê vida marvada, \ Leva a fome du sertão,\ Leva lá prás terra na estrada, \ Até chegá nus asfaltão. \\ Ê rio brabo, \ Deságua a tristeza bem pra lá \ Num deixa entrá mentira e descaso \ Que aquele insisti em falá. \\ Ê arvrinha boa di deitá Num morre nessa terra seca, \ Guenta firme qui vai miorá, \ Nóis inda vai levanta a cabeça. \\ Ê homi do sudeste, \ Pres tenção qui no agreste, \ Nus cabra da peste, Qui é bom com força, num é cafajeste. \\ Ê homi de Brasília! \ Cê tá esquecendo di nóis...

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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...