<<< mais recentes

)Música(

Boston aos porcos

Penso em Aristóteles, que na Retórica menciona o discurso que ou censura ou louva a arte que, vez ou outra, faz pairar nossa alma acima da cabeça, doidivana, e só consigo pensar em como pude negligenciar este primeiro disco do Boston, de 1976. Como pude?! 1972 foi um ano incrível, especialmente para mim, por conta de minha mãe que deu à luz este faminto lobisomem que, aos quatro anos, em 1976, já poderia estar ouvindo Boston, caso algum tio, parente ou vizinho tivesse se preocupado com minha...

Leia mais...

)Tradução(

Poemas escolhidos

Se é bom\\Se é bom, saberá todas coisas\Sem livros, não terá para teu espírito\Nada ilógico, nada de injusto, nada\Negro, na vastidão do universo.\\O problema insolúvel dos fins\E as causas primeiras\Que há fatigado a Filosofia\Será para ti diáfano e modesto.\\O mundo adquirirá para sua mente\Uma divina transparência, um claro\Sentido, e tudo em ti será envolto\Em uma imensa paz.

Leia mais...

)Livros(

Caracóis saem de seus mantos

Fazer resenha de livro de poesia é uma tarefa difícil, sobretudo num momento em que há um grande número de poetas, e seus livros são de pouca circulação. As tiragens, sempre pequenas, muitas vezes se esgotam no dia do lançamento, entre parentes e amigos. Analisar poesia significa comparar o autor a outros poetas de sua época, compará-lo à tradição da poesia em determinada cultura, dialogar com obras da mesma estirpe etc. Enquanto existia a tradição clássica era fácil falar desta arte...

Leia mais...

)Livros(

A forca de cascavel - Angústia, de Graciliano Ramos (FUVEST)

Muitos leitores preferem Angústia a qualquer outro livro de Graciliano Ramos. Não é meu caso. Ainda. Mas até agora Vidas secas é pra mim aquele monolito de 2001: uma odisseia no espaço. Por quê? Se o MacGyver, com um arame, dava vida a um carro, Graciliano, com meia dúzia de personagens, cria um monumento. Mas Angústia, diante do que exige do leitor, pode realmente tornar-se o Graciliano preferido justamente por sua escrita minuciosa e circular. Como em Vidas secas. É uma escolha que, após o...

Leia mais...

)Contos(

Um conto para Melanie

Aquela foi uma das piores noites. Não dormi. A cabeça pesada, os olhos inchados de tanto chorar. Uma angústia. E então peguei no sono sem perceber. Na manhã seguinte, era um sábado, preferi fugir da rotina. Não tinha motivação, forças. Estava me sentindo pesada, com um nó na garganta. Só pensava em como eu poderia resolver aquele conflito com minha amiga e ganhá-la de volta. Melanie é o nome dela. Decidi então pedir ajuda. Sua amiga mais próxima era Susana. Contava muitas coisas para ela...

Leia mais...

)Música(

Meu Telefunken

Surpreende hoje ouvir música num toca-disco, numa época em que Spotify, Youtube, arquivos de MP3 etc., estão no centro das coisas, não? Não. Todos já sabem que o vinil voltou com toda força. Mas surpreende, mesmo assim, trocar o cristalino som do CD ou do MP3 pelos chiados, pulos e traças que os LPs carregam e que, por alguma razão, elevam ainda mais o apreço que muitos audiófilos têm por eles. É que há uma certa nostalgia embutida aí, mas não em primeiro lugar. Em primeiro lugar, vem a...

Leia mais...
<<< mais recentes

Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...