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)Contos(

Guilhotina

Ele se sentiu como se a cabeça tivesse sido separada do corpo, apenas isso, ou isso. A impressão era de uma experiência única! De que nunca havia passado por isso antes, imaginava que não. A cabeça, em uma cama, uma bicama, sofá-cama ou coisa do tipo, estava encostada em um travesseiro e procurava com os olhos (que pareciam alegres e saltitantes), na beirada dos buracos das ventas, a outra parte do corpo que estava estirado no chão. Guilhotina, pensou. Guilhotina, guilhotina, guilhotina...

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)Sarau(

3 poemas sobre a gente

Deus Quando Deus pensou o mundo Ele estava entediado Sem o que fazer na imensidão do Seu espaço Acendendo e apagando estrelas e galáxias no infinito Quando Deus pensou o mundo Nascemos em Sua cabeça Perfeitos nós, os filhos, Dos sonhos de Deus Sublime cozinheiro de pensamentos Deus teve fome Passados sete dias de trabalho De tanto pensar o mundo Bons cozinheiros, vez ou outra, Regozijam-se com o próprio ofício E perdem o apetite Mas a fome incomoda E Deus nos...

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)Contos(

Corrida silenciosa

Apenas de cueca entrou no quarto iluminado por uma réstia de luz que atravessava pequenos buracos do blecaute. A noite era quente. Suava no peito e axilas. Parou diante da cama observando a mulher dormir. A camisola curta deixava a calcinha à mostra. Uma peça pequena, com diversos ursos sorridentes, vermelhos, gordos, que flutuavam de braços abertos. Mesmo sentindo que havia vida abaixo da linha da cintura, absorvido pela paisagem, não desejou sexo ou outra aventura. Tinha os pensamentos...

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)Livros(

Cidade grande, cidade pequena

O romance, de modo geral, tem como missão explicar o mundo. Não se quer dizer com isso que deva abandonar o universo artístico de onde surgiu e ao qual pertence: a literatura. Quanto mais esclarecer o leitor, tanto melhor. O ser humano é um ser que vive de narrativas. Cada vida é uma história, e há histórias que são arquetípicas, explicam a gênese do mundo. No caso presente, temos um romance que muito contribui para desfazer a ingenuidade daqueles que acreditam que política um dia combinou...

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)Contos(

O roubo do colar de pérola azul turquesa

Numa noite fria e chuvosa em Londres, Mr. Bruno Byron estava em seu escritório, em um velho prédio no centro da cidade, quando de repente o telefone toca. Ele atende no primeiro toque, sua voz sai rouca, com timbre forte. Fazia tempo que não recebia ligações inesperadas assim. Do outro lado da linha ouvia-se apenas a frase: "Mr. Byron, por favor me encontre na rua Prince, número 20. Essa rua fica ao lado da Tower Bridge. Peço que chegue em vinte minutos." Byron era um jovem detetive...

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)Sarau(

Metamorphosis

Existe uma lagarta na gente. Tenho uma aqui dentro. Não sei bem ao certo a data precisa Em que apareceu. E eu Que nunca tive gato Nem passarinho, Que nunca ganhei tartaruga Nem cachorro, Passei a criar inseto. . Durante a noite, quando tudo silenciava, ouvia suas patas sob os móveis Da minha cabeça. No começo, achei graça: Tão miúda a bichinha! Ela me fazia companhia, Alimentando meus delírios Cada vez mais sombrios. Mas os dias seguiram E a criatura...

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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...