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)Livros(

Caracóis saem de seus mantos

Fazer resenha de livro de poesia é uma tarefa difícil, sobretudo num momento em que há um grande número de poetas, e seus livros são de pouca circulação. As tiragens, sempre pequenas, muitas vezes se esgotam no dia do lançamento, entre parentes e amigos. Analisar poesia significa comparar o autor a outros poetas de sua época, compará-lo à tradição da poesia em determinada cultura, dialogar com obras da mesma estirpe etc. Enquanto existia a tradição clássica era fácil falar desta arte...

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)Livros(

A forca de cascavel - Angústia, de Graciliano Ramos (FUVEST)

Muitos leitores preferem Angústia a qualquer outro livro de Graciliano Ramos. Não é meu caso. Ainda. Mas até agora Vidas secas é pra mim aquele monolito de 2001: uma odisseia no espaço. Por quê? Se o MacGyver, com um arame, dava vida a um carro, Graciliano, com meia dúzia de personagens, cria um monumento. Mas Angústia, diante do que exige do leitor, pode realmente tornar-se o Graciliano preferido justamente por sua escrita minuciosa e circular. Como em Vidas secas. É uma escolha que, após o...

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)Contos(

Um conto para Melanie

Aquela foi uma das piores noites. Não dormi. A cabeça pesada, os olhos inchados de tanto chorar. Uma angústia. E então peguei no sono sem perceber. Na manhã seguinte, era um sábado, preferi fugir da rotina. Não tinha motivação, forças. Estava me sentindo pesada, com um nó na garganta. Só pensava em como eu poderia resolver aquele conflito com minha amiga e ganhá-la de volta. Melanie é o nome dela. Decidi então pedir ajuda. Sua amiga mais próxima era Susana. Contava muitas coisas para ela...

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)Música(

Meu Telefunken

Surpreende hoje ouvir música num toca-disco, numa época em que Spotify, Youtube, arquivos de MP3 etc., estão no centro das coisas, não? Não. Todos já sabem que o vinil voltou com toda força. Mas surpreende, mesmo assim, trocar o cristalino som do CD ou do MP3 pelos chiados, pulos e traças que os LPs carregam e que, por alguma razão, elevam ainda mais o apreço que muitos audiófilos têm por eles. É que há uma certa nostalgia embutida aí, mas não em primeiro lugar. Em primeiro lugar, vem a...

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)Livros(

O véu da desilusão

Confesso que, ao começar a ler Dora sem véu, achei que o tema do livro poderia já estar esgotado, porque se trata de um romance de características regionalistas, já escrito e discutido por autores que hoje são clássicos da literatura, como o Graciliano Ramos de Vidas Secas e São Bernardo, apenas para citar um deles. A literatura brasileira, na primeira metade do século XX, já teria dado conta suficiente deste tipo de discussão. Seria difícil a autores de um período pós-utópico trazer à tona o...

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)Contos(

Nuvens

As poucas coisas que deves saber sobre mim, por questões de relevância mesmo, é que me chamo Norman, sou desses garotos que se vestem de forma padronizada, tenho boas condições de vida, família estruturada e BLÁ BLÁ BLÁ, e amo Laís. Ela é o grande amor de minha vida. Palavras me faltam para descrever sua beleza. Seus olhos negros combinavam perfeitamente com seus cabelos e sua boca vermelho sangue. Desde o primeiro dia em que a vi, sempre me cativou, lembro-me que, no terceiro ano do ensino...

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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...