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)Contos(

Sra. Otário-idiota

O cara só pode ser um otário. Ou não teria postado aquela foto idiota dele comendo uma porra de um macarrão gourmet que ele mesmo cozinhou, tomando um vinho com notas de sei lá que merda e que deixou ele com uma cara de idiota! Mais que o usual. E o pior é que eu tive uma foto desse mesmo otário-idiota na cabeceira da minha cama, durante anos. ANOS! De um lado meu, a foto de nós dois sorrindo e, do outro, o próprio otário. E eu achava que era feliz. Eu, a senhora otário-idiota. Talvez eu até...

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)Sarau(

[gr]ávido de poesia

das coisas loucas e lindas\foi que retirei o sumo da vida\e o sorvi no nosso jardim secreto\entre flores sem nome\e aves hoje já extintas\\dançavas, oh, felicidade\ tão nua e tão perto\que bastava estender a mão\para te colher\e te possuir ali mesmo\\ engravidei-te, felicidade,\de insensatez e esperança\e, invejosos de nossa plenitude,\ te sequestraram\te bateram\e te fizeram abortar -\no entanto,\o natimorto fruto desse crime...\chamou-se Vida! e, ainda que morto,\era melhor e mais precioso...

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)Contos(

O gordinho

O gordinho bom fim de semana trabalhava em uma das portas da cidade (talvez a única) e, todas as sextas-feiras (provavelmente, todos os dias eram sextas-feiras), quando as pessoas, nas idas e vindas, o encontravam (situação inevitável), ele dizia: bom fim de semana. O gordinho era craque nisso, como se tivesse sido concebido especialmente pra essa função. Passava a mão no cabelo, estufava o peito, encolhia a barriga, o sorriso vinha quase, mas quase mesmo, naturalmente, a sobrancelha era alta...

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)Livros(

Mortes no paraíso

A literatura policial sempre foi um gênero instigante, capaz de atrair os mais diversos tipos de leitores. Mas, durante muito tempo, o gênero permaneceu marginal no Brasil. Para isso existem várias hipóteses. A principal delas, que provoca sua pouca aceitação no meio universitário, é que o gênero segue sempre uma fórmula prescrita, permitindo a seus autores produzir grande número de histórias. Portanto, aqui, faltaria originalidade. Outra hipótese, sobretudo tratando-se do nosso país, seria a...

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)Sarau(

Baile Funk

Este é o poema do cume\ [do erudito ao não dito\ da cumeeira sem beira\ que do cume agito\ acima abaixo\ a fora e a dentro\ de um pretendente\ pra sempre\ a ser gente] do cume lado do presidente\ que do cume fala\ que do cume governa\ que do cume só pra com um cálice\ cálice cálice\ o cume trouxe\ estrume lado\ na mão\\ o cume lado do presidente\ moro do paraná\ toda vez que sobe o cume\ desce o cume lado\ o cume lado desce\ e do cume lado moro\ a galope o golpe\ do cume vaza...

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)Contos(

Celsius 232,778

As primeiras coisas que fiz foram sair das redes sociais, entrar no meu correio eletrônico, enviar as minhas mensagens para a lixeira e esvaziá―la. A seguir, suprimi o meu site do servidor, apaguei os arquivos que tinha enviado para nuvens, cancelei as minhas participações em blogs, exclui as minhas inscrições de fóruns, formatei o meu computador, coloquei as minhas chaves USB e os meus CDs e DVDs dentro de um saco e fui até o quintal, acender uma fogueira. Uma vez que o lume pegou e...

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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...