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)Sarau(

Eu não sei mentir

A gente finge entender. A gente finge aceitar. A gente finge que lê. A gente finge respeitar\ A gente finge\\ A gente finge que acha graça. A gente finge se divertir. A gente finge que é pirraça. A gente finge não desistir\ A gente finge a barriga. A gente finge a cor da pele. A gente finge a cor dos olhos\ A gente finge a cor do cabelo. A gente finge ter dentes. A gente finge ter peitos\ A gente finge ter\\ A gente finge\\ A gente finge a roupa que veste. A gente finge ser importante...

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)Livros(

A vida em transe ― A verdadeira história do século 20, de Claudio Willer

‘Stamos em pleno mar, ali, na página 12 de "A verdadeira história do século 20", de Claudio Willer, quando uma das imagens mais inusitadas pula no colo dos leitores: “fragmentos celestes\ suspensos a uma nuvem\ podemos observar o lento giro dos portões do mar\ e sentir que a vida toda se condensa em um momento.” Na poesia, você sabe, os maremotos começam assim. Esses portões em hélice são o coração do poema – um coração capaz de unir o pulsar e o mar a fim de fazer respirar as palavras do...

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)Contos(

Sra. Otário-idiota

O cara só pode ser um otário. Ou não teria postado aquela foto idiota dele comendo uma porra de um macarrão gourmet que ele mesmo cozinhou, tomando um vinho com notas de sei lá que merda e que deixou ele com uma cara de idiota! Mais que o usual. E o pior é que eu tive uma foto desse mesmo otário-idiota na cabeceira da minha cama, durante anos. ANOS! De um lado meu, a foto de nós dois sorrindo e, do outro, o próprio otário. E eu achava que era feliz. Eu, a senhora otário-idiota. Talvez eu até...

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)Sarau(

[gr]ávido de poesia

das coisas loucas e lindas\foi que retirei o sumo da vida\e o sorvi no nosso jardim secreto\entre flores sem nome\e aves hoje já extintas\\dançavas, oh, felicidade\ tão nua e tão perto\que bastava estender a mão\para te colher\e te possuir ali mesmo\\ engravidei-te, felicidade,\de insensatez e esperança\e, invejosos de nossa plenitude,\ te sequestraram\te bateram\e te fizeram abortar -\no entanto,\o natimorto fruto desse crime...\chamou-se Vida! e, ainda que morto,\era melhor e mais precioso...

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)Contos(

O gordinho

O gordinho bom fim de semana trabalhava em uma das portas da cidade (talvez a única) e, todas as sextas-feiras (provavelmente, todos os dias eram sextas-feiras), quando as pessoas, nas idas e vindas, o encontravam (situação inevitável), ele dizia: bom fim de semana. O gordinho era craque nisso, como se tivesse sido concebido especialmente pra essa função. Passava a mão no cabelo, estufava o peito, encolhia a barriga, o sorriso vinha quase, mas quase mesmo, naturalmente, a sobrancelha era alta...

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)Livros(

Mortes no paraíso

A literatura policial sempre foi um gênero instigante, capaz de atrair os mais diversos tipos de leitores. Mas, durante muito tempo, o gênero permaneceu marginal no Brasil. Para isso existem várias hipóteses. A principal delas, que provoca sua pouca aceitação no meio universitário, é que o gênero segue sempre uma fórmula prescrita, permitindo a seus autores produzir grande número de histórias. Portanto, aqui, faltaria originalidade. Outra hipótese, sobretudo tratando-se do nosso país, seria a...

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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...