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)Sarau(

"Retrovisor" - um poema de J. A. Castro

Moro na outra margem da cidade\ próximo às rodovias\ e dos trilhos abandonados\ da Estrada de Ferro São Paulo e Minas.\ Perdi o sono, Deus!\ e ouço os barulhos dos caminhões\ distantes.\ Antes mesmo de amanhecer já terei partido.\ É cedo ainda!\ Madrugada. Há neblina no lago.\ Pensando bem...\ pouca coisa mudou\ desde a tua época, pai...

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)Livros(

Meu "Sagarana"

Terminei de ler Sagarana faz dois anos. Foram semanas dedicadas às novelas - e, não, em sua maioria, contos, como lembra Paulo Rónai; também não foi - cada uma - nenhum bicho de sete cabeças. Nada disso. Pelo contrário; no meu caso, a cada semana, meus alunos leram uma estória (vai) de Sagarana e, para discuti-las com eles, fui lendo também, e, então, a peleja chegou ao fim. Peleja no bom sentido, porque Sagarana é um livro fantástico - e o sobrenatural também faz parte da obra; no caso, o...

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)Sarau(

2 poemas de George dos Santos Pacheco

O Oráculo Oh, grande Oráculo! Eterno e assaz efêmero, célebre, magnífico e imáculo. Revela-me, guru esplêndido! Prostro-me ingênuo e sorumbático, fitando-te com o rosto lívido: não tens alma, e isso é trágico, teu crédito, porém, é vívido. Ora, ora, Oráculo... Quem te elegeu, num gesto plácido, para declamar neste espetáculo, como se teu conselho fosse válido? Sendo verdade, partiria lépido, e ignorando o equívoco, defender-te-ia intrépido! (ainda que soasse frívolo) Oráculo dos oráculos! Se...

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)Música(

Boston aos porcos

Penso em Aristóteles, que na Retórica menciona o discurso que ou censura ou louva a arte que, vez ou outra, faz pairar nossa alma acima da cabeça, doidivana, e só consigo pensar em como pude negligenciar este primeiro disco do Boston, de 1976. Como pude?! 1972 foi um ano incrível, especialmente para mim, por conta de minha mãe que deu à luz este faminto lobisomem que, aos quatro anos, em 1976, já poderia estar ouvindo Boston, caso algum tio, parente ou vizinho tivesse se preocupado com minha...

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)Tradução(

Poemas escolhidos

Se é bom\\Se é bom, saberá todas coisas\Sem livros, não terá para teu espírito\Nada ilógico, nada de injusto, nada\Negro, na vastidão do universo.\\O problema insolúvel dos fins\E as causas primeiras\Que há fatigado a Filosofia\Será para ti diáfano e modesto.\\O mundo adquirirá para sua mente\Uma divina transparência, um claro\Sentido, e tudo em ti será envolto\Em uma imensa paz.

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)Livros(

Caracóis saem de seus mantos

Fazer resenha de livro de poesia é uma tarefa difícil, sobretudo num momento em que há um grande número de poetas, e seus livros são de pouca circulação. As tiragens, sempre pequenas, muitas vezes se esgotam no dia do lançamento, entre parentes e amigos. Analisar poesia significa comparar o autor a outros poetas de sua época, compará-lo à tradição da poesia em determinada cultura, dialogar com obras da mesma estirpe etc. Enquanto existia a tradição clássica era fácil falar desta arte...

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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...