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)Sarau(

Crônica

A mala era maior do que ele. Quadrada. Pesada. Intrusa. Instalou-se no centro da sala. Entre o sofá e o criado, mudo. Ficava me olhando. Insinuando. Impedia a passagem. Atraia a sujeira. As roupas não cabiam. Um par de meias, camisa de botão. Um chinelo que a vida se encarregou de pisar. A alça era rubra, obscena. Da cor dos cabelos que um dia cultivei. Uma das rodas estava quebrada. Protuberava. Um nome na etiqueta o acusava. Dois, na verdade. Chorou bastante. O suficiente. Teve dor de dente...

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)Sarau(

o arrebol azul

cicatriz \ madrugada \ rosa \ teu \ corpo \ sobre \ o meu \ corpo \ latejando \ azul \\ tirésias virtual \ longa mensagem avesso \ virulento do bordado \ desvario na ínfima tela \

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)Sarau(

A máquina do mundo

E como eu palmilhasse vagamente uma estrada de Minas, pedregosa, e no fecho da tarde um sino rouco se misturasse ao som de meus sapatos que era pausado e seco; e aves pairassem no céu de chumbo, e suas formas pretas lentamente se fossem diluindo na escuridão maior, vinda dos montes e de meu próprio ser desenganado, a máquina do mundo se entreabriu para quem de a romper já se esquivava e só de o ter pensado se carpia. Abriu-se majestosa e circunspecta...

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)Livros(

Três autores e um destino

Tentativas de capturar o ar, de Flávio Izhaki, é um romance que começa em tom de farsa. Há uma “nota do editor” informando que “o livro a seguir é incompleto”. Na verdade um pesquisador, cujo nome é Alexandre Pereira, juntava material para escrever a biografia de Antônio Rascal, maior escritor brasileiro dos últimos 30 anos, segundo o livro. Mas Pereira, o pretenso biógrafo, falece num acidente automobilístico. Mesmo assim, o editor decide publicar o material. Completando a nota, há...

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)Literatura(

A literatura como possibilidade ontológica do homem

O presente artigo propõe uma investigação das possibilidades da arte, mais especificamente da literatura, como porta-voz da condição humana em sua profundidade e contradições. Para tanto, construímos o texto em três partes. A primeira, trata da dissolução da noção de verdade, enfatizando, por um lado, o contexto cultural propício para isso (passagem do século XIX para o XX) e, por outro, as críticas de Friedrich Nietzsche à tradição conceitual da Filosofia. A segunda parte aborda os atributos...

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)Cinema(

Três filmes para hoje

A primeira cena de La La Land tem cerca de dez minutos e é uma espécie de aviso: “você está aqui para ver um musical!”. Corta para um sujeito comendo bife de fígado, com os olhos semiabertos, cara de feliz e fazendo “hummmm”… Essa cena só é possível com uma condição básica: gostar de bife de fígado. Corta para um viaduto com dezenas de carros parados em um engarrafamento e todas os motoristas e caroneiros cantando e dançando, subindo nos capôs, sorrindo, enfim, uma verdadeira festa...

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Este sítio, Tertúlia, nasceu de um fanzine. De 1993 a 1997 foram apenas seis números. Fanzine é uma revista que você mesmo faz, com tesoura, cola e uma ideia na cabeça. "Xerox e revolução", disse Marcel Plasse nos anos 90. Tertúlia agora está on-line. Seja bem-vind@. Música, cinema, literatura, entrevistas, futebol (Santos Futebol Clube), um pouco de meu trabalho (work in progress) e de tudo um pouco (gastronomia, cidades etc.). Coisas para relembrar: nunca tive talento para tocar guitarra (infelizmente) e sempre gostei de botes contra a corrente.
Renato Alessandro dos Santos
realess72@gmail.com

"Olá, este é o site do fanzine Tertúlia. Nos anos 1990, fazer fanzine era mais do que ter um blog ou um site. Era esperar pelo carteiro todo dia, quando e-mails ainda não faziam parte da vida; as cartas chegavam sem parar. Mesmo quando não havia carta alguma, o carteiro passava lá em casa. 'Não vai ficar triste, menino, mas hoje não tem carta', lamentava. 'Não há problema', eu dizia.'Amanhã chega mais'. E chegava. Cartas vinham de tudo quanto é parte do Brasil e fora daqui: Espanha, Cuba, EUA. O fanzine ia cada vez mais longe... LEIA MAIS...